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19 de jul. de 2026

☀️ Santo do dia: SANTA MACRINA, 
uma jovem mulher que formou uma família de santos: irmã de São Basílio Magno, São Gregório de Nissa e São Pedro de Sebaste


Poucos, porém, conhecem a mulher que ajudou a formar alguns dos maiores santos da história do cristianismo. Ela nunca governou uma diocese. Nunca escreveu um tratado de teologia. Nunca pregou para multidões. Mesmo assim, sem ela talvez não tivéssemos conhecido São Basílio Magno, São Gregório de Nissa e São Pedro de Sebaste, três dos maiores bispos do século IV. Seu nome era Macrina.
Sua história foi escrita por quem melhor a conheceu: seu irmão, São Gregório de Nissa, na obra Vida de Santa Macrina (Vita Macrinae).
Macrina nasceu por volta do ano 327, em Cesareia da Capadócia, na atual Turquia.
Sua família era verdadeiramente extraordinária.
Sua avó era Santa Macrina, a Antiga, discípula de São Gregório Taumaturgo. Durante a perseguição do imperador Diocleciano, ela manteve viva a fé escondendo-se nas montanhas durante vários anos.
Seu pai chamava-se Basílio, o Ancião.
Sua mãe era Santa Emélia.
Naquela casa, rezar fazia parte da vida cotidiana.

Dos dez filhos do casal, 4 seriam reconhecidos como santos: São Basílio Magno, um dos maiores Doutores da Igreja; São Gregório de Nissa, grande teólogo; São Pedro de Sebaste, bispo; e a própria Santa Macrina.
Desde pequena, Macrina foi educada principalmente pela mãe.
Antes mesmo de aprender as grandes obras da literatura grega, conhecia os Salmos, os Provérbios e os Evangelhos. A Palavra de Deus tornou-se o alimento da sua inteligência e do seu coração.
Ainda muito jovem, foi prometida em casamento. Mas, pouco antes da cerimônia, seu noivo morreu inesperadamente.Todos imaginavam que ela escolheria outro esposo. Macrina, porém, tomou uma decisão surpreendente. Afirmou que continuaria fiel ao compromisso assumido, porque a morte não destrói a união daqueles que esperam a ressurreição em Cristo. 
Decidiu permanecer solteira e consagrar toda a sua vida ao Senhor.
Essa decisão transformou completamente sua existência.

Quando seu pai morreu, tornou-se o grande apoio da mãe. Ajudou a educar os irmãos menores.
Foi ela quem lhes ensinou as primeiras orações. Foi ela quem despertou neles o amor pelas Sagradas Escrituras. Foi ela quem mostrou, pelo exemplo, que a inteligência só alcança sua verdadeira grandeza quando é colocada a serviço de Deus. Ela deu a primeira formação aos seus 3 grandes irmãos Bispos e santos!
São Gregório conta que Macrina possuía uma serenidade impressionante. Nunca procurava aparecer. Nunca falava para ser admirada. Sua autoridade nascia da coerência da própria vida.

O exemplo mais bonito aconteceu com São Basílio Magno.
Depois de estudar nas melhores escolas de Atenas, Basílio voltou para casa considerado um dos homens mais cultos de seu tempo. A fama começava a cercá-lo. Mas Macrina percebeu que seu irmão corria o risco de confiar mais no próprio talento do que na graça de Deus. Com delicadeza e firmeza, ajudou-o a abandonar a vaidade intelectual e a colocar toda a sua inteligência a serviço do Evangelho. Mais tarde, o próprio Basílio reconheceria que sua irmã havia sido uma de suas maiores mestras na vida espiritual.

Alguns anos depois, a propriedade da família transformou-se numa verdadeira comunidade cristã.
Macrina e sua mãe reuniram ali várias mulheres que desejavam dedicar a vida a Deus.
Mas elas não fundaram apenas um mosteiro.
Construíram uma verdadeira família.
São Gregório de Nissa conta que ali desapareceram as diferenças que normalmente dividiam a sociedade romana.
Antigas senhoras viviam ao lado de antigas servas.
Ricas e pobres sentavam-se à mesma mesa.
Todas trabalhavam com as próprias mãos.
Todas rezavam juntas.
Todas compartilhavam os mesmos bens.

Macrina queria que aquela comunidade fosse um reflexo da primeira Igreja descrita nos Atos dos Apóstolos, onde "todos tinham tudo em comum" (At 2,44).
Ela acreditava que o Evangelho não podia transformar apenas o coração das pessoas; precisava transformar também a maneira de viver.
Por isso, ninguém era considerado superior por causa da riqueza, da cultura ou da posição social.
Todos eram simplesmente irmãos diante de Deus.

Enquanto seus irmãos se tornavam bispos famosos e grandes escritores da Igreja, Macrina permanecia escondida. Mas continuava sendo o verdadeiro coração espiritual daquela família.

No ano 379, São Basílio Magno morreu. A perda foi enorme. 
Pouco tempo depois, São Gregório de Nissa foi visitar a irmã.
Encontrou-a gravemente doente.
Seu corpo já estava consumido pela enfermidade e ela sabia que estava vivendo os últimos dias da sua vida.

Gregório aproximou-se profundamente abalado.
Acabara de perder o irmão Basílio e agora via também a irmã partir. Mas aconteceu algo que jamais esqueceria.

Em vez de encontrar uma mulher dominada pelo medo, encontrou alguém cheio de paz.
Naquele quarto simples, foi Macrina quem começou a consolar o irmão.

A longa conversa entre os dois, conservada por São Gregório na Vida de Macrina e desenvolvida depois no tratado Sobre a Alma e a Ressurreição (De Anima et Resurrectione), tornou-se uma das páginas mais belas da literatura cristã antiga.

Enquanto Gregório chorava, Macrina falava da morte com uma serenidade impressionante.
Recordava que Cristo havia vencido a morte e transformado o túmulo na porta da vida eterna.
Dizia que o cristão não deve olhar para a morte como quem perde tudo, mas como quem finalmente vai ao encontro daquele que sempre amou.
Para ela, morrer significava voltar para a casa do Pai.

Em determinado momento afirmou:
"A esperança da ressurreição é o remédio preparado por Deus contra a tristeza da morte."(São Gregório de Nissa, De Anima et Resurrectione)

Depois explicou que Deus não criou o homem para desaparecer no nada, mas para participar eternamente da sua própria vida. Gregório ficou profundamente impressionado.
Mais tarde escreveria que, naquele momento, já não era ele quem sustentava a irmã enferma.
Era ela quem fortalecia sua fé.
Pouco antes de morrer, Macrina elevou uma longa oração de ação de graças.
Nela dizia:
"Tu, Senhor, quebraste para nós o medo da morte. Fizeste do fim desta vida o começo da verdadeira vida."(Vita Macrinae)
E continuava:
"Entrego minha alma em tuas mãos. Tu me libertaste do medo da morte e nos abriste o caminho da ressurreição."(Vita Macrinae)

Terminada a oração, fez lentamente o sinal da cruz.
Fixou o olhar no céu. E, quase sem que os presentes percebessem, entregou serenamente sua alma a Deus.
São Gregório escreve que seu rosto permaneceu sereno e luminoso, como o de alguém que simplesmente adormecera.
Foi então que ele compreendeu definitivamente quem havia sido sua irmã.
Não apenas uma irmã de sangue. Mas uma verdadeira mãe espiritual, que durante toda a vida conduzira sua família para Deus e que, no momento da morte, ainda ensinava que a esperança cristã é mais forte do que qualquer sofrimento.

Referências históricas

  • São Gregório de Nissa, Vita Macrinae.
  • São Gregório de Nissa, De Anima et Resurrectione.
  • Martirológio Romano, 19 de julho.
  • Bibliotheca Sanctorum, verbete Macrina iuniore.
  • Jean Daniélou, Platonisme et Théologie Mystique.
  • Pierre Maraval, Grégoire de Nysse: Vie de Sainte Macrine (edição crítica e tradução).
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