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28 de out. de 2026

☀️ Santo do dia: SÃO SIMÃO E SÃO JUDAS TADEU 

Dois apóstolos que seguiram Jesus até o martírio


1. Dois homens chamados por Jesus


No dia 28 de outubro, a Igreja celebra a festa de São Simão e São Judas Tadeu, dois dos doze apóstolos escolhidos pessoalmente por Jesus. Seus nomes aparecem nas listas dos apóstolos conservadas pelos Evangelhos (Mt 10,3-4; Mc 3,18; Lc 6,15-16).

Simão era chamado de Zelota, nome ligado ao zelo pela Lei de Deus e pela liberdade de Israel. Naquele tempo, havia entre os judeus movimentos de resistência ao domínio romano, alguns dos quais defendiam o uso das armas. O apelido de Simão pode indicar sua proximidade com esse ambiente nacionalista. É particularmente significativo que Jesus tenha escolhido, entre seus apóstolos, tanto Simão, o Zelota, quanto Mateus, que havia trabalhado como cobrador de impostos. Homens provenientes de ambientes tão diferentes foram chamados a viver unidos pelo mesmo Mestre.

Judas Tadeu, por sua vez, é identificado nas listas apostólicas como Judas de Tiago. Mateus e Marcos apresentam o nome Tadeu. Ele não deve ser confundido com Judas Iscariotes, que traiu Jesus.

Os dois passaram a fazer parte do pequeno grupo que acompanhava Jesus. Percorreram com Ele as estradas da Galileia e da Judeia, ouviram seus ensinamentos, presenciaram seus milagres e receberam a missão de anunciar o Reino de Deus.


2. Judas Tadeu faz uma pergunta durante a Última Ceia


Entre os dois apóstolos, Judas Tadeu é o único de quem o Evangelho conserva uma intervenção pessoal.

Na noite da Última Ceia, Jesus estava preparando seus discípulos para sua morte. Falou-lhes sobre o amor, a obediência aos seus mandamentos e a presença de Deus na vida daqueles que acreditam nele.

Nesse momento, Judas Tadeu perguntou:

“Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?” (Jo 14,22).

A pergunta mostra que Judas desejava compreender como Jesus se revelaria aos homens. Ele havia visto os milagres do Mestre e escutado suas palavras. Por que, então, Jesus não se manifestaria a todos de maneira evidente?

Jesus respondeu:

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23).

Jesus ensinava que sua presença seria reconhecida por aqueles que o amassem e acolhessem sua Palavra. Depois de sua ressurreição, os apóstolos compreenderiam melhor essas palavras e receberiam a missão de anunciá-las ao mundo inteiro.


3. Depois da ressurreição: a missão dos apóstolos


Após a morte e a ressurreição de Jesus, Simão e Judas permaneceram unidos aos outros apóstolos.

O livro dos Atos dos Apóstolos menciona expressamente seus nomes entre os discípulos que, em Jerusalém, perseveravam na oração, juntamente com Maria, a mãe de Jesus (At 1,13-14).

No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade reunida. Os apóstolos começaram então a anunciar publicamente que Jesus, crucificado pelas autoridades, havia ressuscitado e era o Senhor.

A tradição cristã conserva a memória da atividade missionária de Simão e Judas em diferentes regiões do Oriente.

São Judas Tadeu é associado especialmente à evangelização da Mesopotâmia e da Pérsia. Seu nome também aparece nas tradições cristãs relacionadas à cidade de Edessa, na antiga Síria. Eusébio de Cesareia, na História Eclesiástica (I,13), conserva o relato de um discípulo chamado Tadeu enviado a Edessa para anunciar o Evangelho.

São Simão, o Zelota, é associado por diferentes tradições à pregação em regiões orientais. Uma tradição difundida no Ocidente apresenta Simão e Judas trabalhando juntos na Pérsia, onde anunciaram Jesus Cristo e formaram comunidades cristãs.


4. O martírio de Simão e Judas


Segundo a tradição cristã, os dois apóstolos enfrentaram perseguições durante sua atividade missionária.

Os relatos de seu martírio situam os acontecimentos na Pérsia. Simão e Judas teriam encontrado forte oposição por parte dos sacerdotes dos cultos locais, que procuravam impedir a difusão do cristianismo.

A tradição conta que os apóstolos foram pressionados a participar de sacrifícios aos deuses. Eles não negaram a fé em Jesus Cristo e foram mortos.

A iconografia cristã conservou a memória desse martírio por meio de dois instrumentos: Judas Tadeu é frequentemente representado com uma clava, enquanto Simão aparece segurando uma serra. Esses objetos recordam as antigas tradições sobre a morte dos dois apóstolos.

A veneração conjunta de Simão e Judas difundiu-se especialmente na Igreja do Ocidente. Por isso, a liturgia romana celebra sua festa no mesmo dia, 28 de outubro.


5. Por que Judas Tadeu é invocado nas causas difíceis?


Entre os dois apóstolos, Judas Tadeu tornou-se particularmente conhecido pela devoção popular.

Ao longo dos séculos, os cristãos passaram a invocar sua intercessão em situações de grande sofrimento: doenças, dificuldades familiares, problemas econômicos e circunstâncias nas quais parecia não existir solução.

Assim, recebeu o título popular de padroeiro das causas difíceis e desesperadas.

Essa devoção expressa a confiança dos fiéis na intercessão dos santos, que continuam unidos a Cristo e à sua Igreja.

São Simão, por sua vez, é lembrado especialmente por sua fidelidade à missão apostólica. Seu título de Zelota recorda o ambiente de zelo religioso e nacional em que viveu e do qual Jesus o chamou para anunciar o Evangelho.


6. Dois apóstolos, uma única fidelidade


Os Evangelhos conservaram poucas informações pessoais sobre Simão e Judas. Entretanto, registraram o fato mais importante de suas vidas: foram escolhidos por Jesus, viveram com Ele e receberam a missão de anunciar sua ressurreição.

Simão, chamado Zelota, encontrou em Jesus uma missão que ultrapassava as aspirações políticas de seu tempo. Judas Tadeu, que durante a Última Ceia havia perguntado como Jesus se manifestaria ao mundo, tornou-se também anunciador dessa presença de Cristo entre os homens.

A tradição cristã recorda que ambos permaneceram fiéis até o martírio.

A história desses dois apóstolos nos recorda que seguir Jesus não significa apenas admirar seus ensinamentos, mas acolher sua Palavra, viver segundo o Evangelho e permanecer fiel a Ele até o fim.



Fontes e referências


1. Sagrada Escritura: Mt 10,3-4; Mc 3,18; Lc 6,15-16; Jo 14,22-23; At 1,13-14.

2. Bento XVI, Audiência Geral de 11 de outubro de 2006, “Simão e Judas”. Catequese sobre os dois apóstolos, o significado do título Zelota e a pergunta de Judas Tadeu na Última Ceia. Texto no Vaticano.

3. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, XVIII, 1, 1 e XVIII, 1, 6; Guerra Judaica, II, 8, 1. Testemunhos sobre Judas, o Galileu, e os movimentos judaicos de resistência ao domínio romano.

4. Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, I,13. Tradição sobre Tadeu e a evangelização de Edessa.

5. Passio Simonis et Iudae. Tradição hagiográfica latina sobre a missão conjunta dos dois apóstolos e seu martírio na Pérsia.


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