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3 de out. de 2026

☀️ Santo do dia: São Dionísio, o Areopagita 

O sábio de Atenas que acreditou quando os outros riram


Um homem entre os sábios de Atenas


Estamos por volta do ano 50 depois de Cristo. Atenas já não possuía o poder político dos séculos anteriores, mas continuava sendo um dos grandes centros culturais do mundo antigo. Templos, altares, escolas filosóficas e lugares de discussão enchiam a cidade. Ali vivia Dionísio, que São Lucas chama de “o Areopagita”, porque pertencia ao Areópago, antiga e prestigiosa instituição ateniense. Era, portanto, um homem inserido na vida pública e intelectual da cidade, habituado a ouvir discursos, examinar argumentos e participar das discussões que faziam parte da vida de Atenas. Foi justamente nessa cidade que chegou São Paulo. Enquanto esperava Silas e Timóteo, o apóstolo começou a anunciar o Evangelho na sinagoga e também na agorá, a grande praça pública, onde diariamente conversava com aqueles que encontrava. Alguns filósofos epicureus e estoicos começaram a discutir com ele. Uns perguntavam: “Que quererá dizer esse charlatão?” Outros pensavam que Paulo estivesse anunciando divindades estrangeiras, porque falava de Jesus e da ressurreição. Então, conta São Lucas, “tomando-o, levaram-no ao Areópago” e lhe perguntaram: “Podemos saber que nova doutrina é essa que ensinas?” (At 17,18-19). Foi ali que os caminhos de Paulo e Dionísio se encontraram.


“Aquilo que adorais sem conhecer, eu vos anuncio”


Paulo colocou-se de pé no meio do Areópago. Diante dele estavam homens formados dentro da cultura grega. Começou seu discurso partindo de algo que havia encontrado enquanto caminhava por Atenas: um altar com a inscrição “Ao Deus desconhecido”. E declarou: “Aquilo que adorais sem conhecer é precisamente o que eu vos anuncio” (At 17,23). Então falou do Deus que criou o mundo e tudo o que nele existe, Senhor do céu e da terra, aquele que dá aos homens a vida e a respiração. Deus estava muito mais próximo do homem do que os atenienses imaginavam. Paulo chegou a citar os próprios poetas gregos: “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Dionísio escutava. Aquele homem conhecia os templos de Atenas, estava familiarizado com o mundo intelectual de sua cidade e certamente havia ouvido muitos discursos. Agora, porém, Paulo anunciava que o Deus procurado pelos homens podia realmente ser conhecido. A busca religiosa e intelectual de Atenas encontrava-se, naquele momento, com o anúncio do Evangelho.


Alguns riram. Dionísio acreditou


Paulo conduziu seus ouvintes até o ponto decisivo de sua pregação: Deus chamava todos os homens à conversão e havia manifestado seu desígnio por meio de Jesus Cristo ressuscitado dos mortos. Foi então que a assembleia se dividiu. São Lucas conta: “Quando ouviram falar da ressurreição dos mortos, alguns zombavam, enquanto outros diziam: ‘A respeito disso te ouviremos outra vez’” (At 17,32). Paulo deixou então aquele ambiente, mas alguns homens se aproximaram dele e abraçaram a fé. São Lucas fez questão de conservar dois nomes: “Entre eles Dionísio, o Areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e outros com eles” (At 17,34). Dionísio havia escutado o mesmo anúncio que todos os outros e também ouvira as risadas. Alguns zombaram, outros preferiram adiar a decisão, mas Dionísio acreditou. Bento XVI, comentando essa passagem, observa que somente alguns se aproximaram de Paulo e se abriram à fé, entre eles Dionísio. Naquele encontro acontecia algo destinado a marcar profundamente a história do cristianismo: a cultura grega encontrava o Evangelho, e um homem formado naquele mundo tornava-se discípulo de Cristo.


Do Areópago à Igreja de Atenas


Os Atos dos Apóstolos deixam Dionísio nesse momento, mas uma fonte cristã muito antiga permite acompanhar sua história mais adiante. Por volta do ano 170, São Dionísio, bispo de Corinto, escreveu uma carta aos cristãos de Atenas. Essa carta não chegou inteira até nós, mas Eusébio de Cesareia, no século IV, ainda a conhecia e conservou uma informação preciosa: Dionísio, o Areopagita, convertido por São Paulo, tornou-se o primeiro bispo da Igreja de Atenas. É também assim que o Martirológio Romano o recorda em 3 de outubro. A transformação daquele homem é impressionante. Dionísio havia entrado na história cristã como um dos homens que escutavam Paulo; depois tornou-se responsável por anunciar naquela mesma cidade o Cristo que Paulo lhe havia apresentado. O membro do Areópago tornou-se pastor da comunidade cristã de Atenas. A fé recebida naquele encontro transformou-se em missão.


Fontes e documentação histórica


Atos dos Apóstolos 17,16-34; Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, III,4 e IV,23; Martirológio Romano, 3 de outubro; Bento XVI, Audiência Geral, 14 de maio de 2008. A distinção entre São Dionísio, o Areopagita, do século I, e o autor posterior conhecido como Pseudo-Dionísio Areopagita é também explicada por Bento XVI nessa catequese.

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