
10 de ago. de 2026
☀️ Santo do dia: Beatos Francisco Drzewiecki e Eduardo Grzymała dois sacerdotes mártires de Dachau, lager nazista
No início do século XX, a Polônia era uma nação marcada por uma fé muito viva. As igrejas estavam cheias, as famílias rezavam juntas e muitos jovens respondiam generosamente ao chamado de Deus.
Francisco Drzewiecki nasceu em 26 de fevereiro de 1908, na cidade de Zduny. Desde cedo sentiu o desejo de dedicar a vida à evangelização. Entrou para a Pequena Obra da Divina Providência, fundada por São Luís Orione, e foi ordenado sacerdote em 1936. Alegre, próximo dos jovens e dos pobres, tornou-se um incansável educador e catequista.
Eduardo Grzymała nasceu em 23 de fevereiro de 1906, também na Polônia. Depois dos estudos no seminário, foi ordenado sacerdote diocesano e entregou-se totalmente ao ministério paroquial. Era conhecido pela serenidade, pela dedicação às confissões e pelo cuidado com os doentes e as famílias.
Nenhum dos dois imaginava que, poucos anos depois, sua fidelidade ao sacerdócio seria colocada à prova de maneira extrema.
A guerra mudou tudo
Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Polônia. Começava a Segunda Guerra Mundial.
Os nazistas não perseguiam apenas militares ou políticos. Sabiam que a Igreja Católica era um dos pilares da identidade do povo polonês. Por isso decidiram eliminar sistematicamente bispos, sacerdotes, religiosos e líderes cristãos. Centenas de igrejas foram fechadas. Seminários foram destruídos. Milhares de padres foram presos. Francisco e Eduardo continuaram exercendo seu ministério, mesmo sabendo que corriam grande perigo. Para eles, abandonar o povo significaria abandonar Cristo.
A prisão
Ambos acabaram sendo presos pela Gestapo. Foram interrogados, humilhados e enviados ao campo de concentração de Dachau, na Alemanha. Dachau havia sido criado em 1933 e tornou-se o principal campo destinado aos membros do clero.
Ali passaram mais de 2.700 sacerdotes, religiosos e pastores, dos quais cerca de 1.800 eram católicos. A maioria era polonesa.
Chegar a Dachau significava entrar num lugar onde se tentava destruir não apenas o corpo, mas também a alma. Assim que desembarcavam dos vagões de carga, os prisioneiros tinham os cabelos raspados, perdiam suas roupas, seu nome e sua identidade. A partir daquele momento eram conhecidos apenas por um número costurado no uniforme.
Os sacerdotes eram tratados com especial desprezo pelos guardas nazistas. Muitos eram obrigados a realizar trabalhos pesadíssimos durante horas, carregando pedras, empurrando carrinhos de terra ou trabalhando em plantações, quase sempre sem alimentação suficiente. No inverno suportavam temperaturas abaixo de zero com roupas finas; no verão, trabalhavam sob um calor intenso. A fome era permanente. A ração diária era tão pequena que muitos perdiam dezenas de quilos em poucos meses.
As doenças espalhavam-se rapidamente. Tifo, disenteria, tuberculose e infecções tornavam-se frequentes. Quem adoecia gravemente muitas vezes era abandonado à própria sorte ou enviado para experiências médicas desumanas. Os espancamentos também eram constantes. Bastava um passo fora da fila, um momento de cansaço ou uma ordem mal compreendida para receber golpes violentos dos guardas.
Apesar de tudo isso, os sacerdotes procuravam permanecer fiéis à sua missão. Quando conseguiam, rezavam escondidos, ouviam confissões em segredo e recitavam de memória trechos da Bíblia e do Rosário. Alguns confeccionavam discretamente pequenos rosários com pedaços de barbante ou migalhas de pão endurecido. A Eucaristia, quando podia ser celebrada clandestinamente, tornava-se a maior fonte de esperança daquele verdadeiro inferno.
Foi nesse ambiente que viveram os Beatos Eduardo Grzymała e Francisco Drzewiecki. Não conhecemos todos os detalhes de seus últimos dias, mas sabemos que permaneceram fiéis ao sacerdócio até o fim. Consumidos pela fome, pelos trabalhos forçados, pelas doenças e pelos maus-tratos, entregaram a vida sem renegar Cristo. Aquilo que os nazistas pretendiam destruir tornou-se, na verdade, o maior testemunho de sua fé.
(Essas considerações se baseiam em abundante documentação sobre o "Priesterblock" (Bloco dos Sacerdotes) de Dachau. Sabe-se que passaram por esse campo 2.720 membros do clero, dos quais 2.579 eram católicos e cerca de 1.780 eram poloneses. Aproximadamente 1.034 sacerdotes morreram em Dachau, vítimas da fome, das doenças, dos trabalhos forçados, das execuções e dos experimentos médicos).
Sacerdotes até o fim
Francisco Drzewiecki nunca deixou de animar os companheiros de prisão.
Mesmo exausto, procurava confortar os mais desanimados e lembrava que Cristo também havia sofrido antes da Ressurreição.
Eduardo Grzymała fazia o mesmo. Sua serenidade fortalecia muitos prisioneiros que já não encontravam forças para continuar vivendo. Os guardas tentavam destruir a dignidade dos presos.
Mas não conseguiam apagar a esperança que aqueles sacerdotes levavam no coração.
O martírio
As condições desumanas do campo consumiam lentamente a vida dos prisioneiros.
O Beato Francisco Drzewiecki morreu em 13 de setembro de 1942, vítima das violências e das condições impostas no campo de Dachau. Tinha apenas 34 anos.
O Beato Eduardo Grzymała morreu poucos meses antes, em 10 de agosto de 1942, igualmente em Dachau, depois de sofrer os mesmos maus-tratos e privações.
Os nazistas pensavam que estavam eliminando dois sacerdotes. A Igreja reconheceu neles duas testemunhas fiéis de Cristo.
A vitória da fé
Em 13 de junho de 1999, durante sua viagem apostólica à Polônia, São João Paulo II beatificou 108 mártires da Segunda Guerra Mundial. Entre eles estavam Francisco Drzewiecki e Eduardo Grzymała.
Na homilia da beatificação, o Papa afirmou que aqueles homens e mulheres mostraram ao mundo que o amor é mais forte do que o ódio e que nenhuma violência pode destruir uma vida totalmente entregue a Deus.
Fontes históricas
São João Paulo II, Homilia da Beatificação dos 108 Mártires Poloneses (13 de junho de 1999).
Martyrologium Romanum (edição de 2004).
Congregação para as Causas dos Santos, Positio super martyrio dos 108 Mártires da Polônia.
United States Holocaust Memorial Museum – documentação histórica sobre o campo de concentração de Dachau e a perseguição ao clero.
Yad Vashem – estudos sobre a perseguição nazista à Igreja Católica na Polônia.