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Santos Paulo e Tatta e seus quatro filhos

25 set 2026

☀️ Santo do dia: Santos Paulo e Tatta e seus quatro filhos

Uma família inteira que permaneceu unida a Cristo


No dia 25 de setembro, a Igreja conserva a memória de uma família inteira de mártires: Paulo e Tatta, esposos, e seus quatro filhos, Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio. Eles viveram em Damasco, na Síria, uma das grandes cidades do Oriente antigo e um lugar ligado ao cristianismo desde os seus primeiros anos. Foi para Damasco que Saulo se dirigia quando Cristo o alcançou no caminho; foi ali que Ananias o recebeu e batizou (At 9,1-19). Gerações depois, nessa mesma cidade, encontramos uma casa na qual pai, mãe e quatro filhos compartilhavam a mesma fé em Jesus Cristo.


Uma casa onde a fé passou dos pais para os filhos


O Martirológio Romano apresenta Paulo e Tatta expressamente como marido e mulher e identifica pelo nome seus quatro filhos. Esse pequeno detalhe permite enxergar algo muito importante: a história deles é também a história de um matrimônio cristão que se tornou fecundo na transmissão da fé. Paulo e Tatta deram a vida a Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio e, juntamente com a vida, transmitiram-lhes Cristo. Durante anos, aquela fé deve ter sido vivida no ritmo normal de uma família cristã: na oração, na participação na comunidade e no ensinamento recebido dos pais. Quando chegou a perseguição, porém, aconteceu algo decisivo: a fé recebida dos pais tornou-se a escolha pessoal dos filhos. Sabiniano precisou permanecer cristão. Máximo precisou fazer a mesma escolha. Rufo e Eugênio também. Os quatro permaneceram ao lado dos pais. A maior herança que Paulo e Tatta haviam colocado no coração de seus filhos havia criado raízes: eles lhes haviam dado Cristo, e os filhos decidiram não permitir que ninguém lhes tirasse Cristo.


Uma acusação que alcançou a família inteira


Em determinado momento, os seis foram acusados de professar a religião cristã. O Martirológio Romano conserva precisamente esse elemento como origem de seu martírio. A fé vivida dentro daquela casa tornou-se então motivo de perseguição pública. A tradição oriental acrescenta que foram presos e mantidos em instrumentos de contenção e correntes. De repente, Paulo e Tatta encontravam-se aprisionados ao lado dos quatro filhos que haviam criado. A família inteira estava ali pela mesma razão: pertencia a Cristo.


 Aquela prisão tornou visível uma realidade que provavelmente havia crescido silenciosamente durante muitos anos. Os seis tinham aprendido a viver juntos; agora precisariam aprender a sofrer juntos. Paulo podia olhar para Tatta e reconhecer a mulher com quem havia construído sua família. Tatta podia olhar para Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio e contemplar os filhos que havia colocado no mundo. E os filhos podiam olhar para os pais dos quais haviam recebido justamente a fé pela qual agora estavam acorrentados. As correntes prendiam seus corpos, mas também manifestavam a profunda unidade espiritual daquela família: todos estavam presos pelo mesmo Cristo e todos queriam permanecer com Ele.


Pai e mãe diante do sofrimento dos filhos


Existe uma dimensão especialmente forte nesse martírio. Paulo e Tatta precisaram suportar não apenas aquilo que faziam contra seus próprios corpos, mas também o sofrimento de ver os filhos sendo torturados diante deles. Para um pai e uma mãe, poucas provas podem ser maiores. Aqueles quatro filhos eram a carne de sua carne, haviam crescido sob seus olhos e agora sofriam por causa da mesma fé que os pais lhes haviam transmitido.


 Mas também os filhos olhavam para os pais. A fidelidade circulava, por assim dizer, de uma geração para a outra. A fé que Paulo e Tatta haviam dado aos filhos retornava agora para eles sob a forma do testemunho de Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio. Cada membro daquela família podia encontrar nos outros uma razão para permanecer firme. Aquilo que durante anos havia sido vivido na intimidade da casa transformava-se agora em força diante dos perseguidores. A família tornava-se sustentação para a própria família.


Os açoites e os tormentos


O Martirológio Romano registra expressamente que Paulo, Tatta e seus quatro filhos foram espancados e submetidos a outros suplícios. A tradição oriental fala de uma severa flagelação e de tormentos que atingiram seus membros. O martírio, portanto, prolongou-se através de um processo de sofrimento físico destinado a quebrar sua resistência.


 Os golpes atingiram o pai, a mãe e os filhos. Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio conheceram no próprio corpo o preço da decisão que haviam tomado. A perseguição procurava obrigá-los a abandonar aquilo que professavam, mas os seis nomes chegaram juntos até nós precisamente porque os seis permaneceram unidos na mesma fé. A violência conseguia ferir seus corpos, mas não conseguia desfazer aquilo que havia sido construído durante anos dentro daquela casa.


 Aqui aparece toda a grandeza da educação cristã recebida pelos quatro filhos. Enquanto eram pequenos, Paulo e Tatta podiam falar-lhes de Cristo. Podiam ensinar-lhes a rezar e mostrar-lhes como viver. Mas chegaria inevitavelmente o momento em que os pais já não poderiam escolher por eles. Diante dos perseguidores, cada filho precisava responder com a própria liberdade. E os quatro escolheram conservar a fé recebida em casa.


A maior herança que os pais podem deixar


A história dessa família coloca diante de nós uma pergunta muito simples: qual é a maior herança que um pai e uma mãe podem deixar aos filhos? Uma casa pode desaparecer. O dinheiro pode acabar. As propriedades passam para outras mãos. Até o nome de uma família pode ser esquecido depois de algumas gerações. Paulo e Tatta deixaram algo que nem os perseguidores conseguiram arrancar de seus filhos.


 Deixaram-lhes uma fé pela qual eles estavam dispostos a dar a própria vida.


 Essa foi a grande fecundidade daquele matrimônio. Paulo e Tatta haviam gerado quatro filhos para esta vida e ajudaram esses mesmos filhos a nascer para a vida da fé. E quando chegou o momento da prova, descobriram que aquilo que haviam plantado estava profundamente enraizado. Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio já não acreditavam apenas porque seus pais acreditavam. Eles mesmos pertenciam a Cristo.


 É exatamente aí que a transmissão da fé alcança sua maturidade. Os pais mostram o caminho, ensinam, testemunham, corrigem, rezam e acompanham; mas o filho precisa um dia pronunciar pessoalmente o seu “sim”. Os quatro filhos de Paulo e Tatta pronunciaram esse “sim” quando ele se tornou extremamente custoso.


Um matrimônio que chegou até o martírio


O fato de a Igreja recordar Paulo e Tatta como esposos também ilumina a santidade do matrimônio. Aqueles dois haviam unido suas vidas e, dessa união, nasceram quatro filhos. A casa tornou-se o primeiro lugar de evangelização. Antes de enfrentarem juntos a perseguição, eles haviam aprendido a compartilhar o cotidiano: alegrias, dificuldades, trabalho, educação dos filhos, oração e fé.


 Assim, o matrimônio tornou-se verdadeiramente fecundo. O amor entre Paulo e Tatta não permaneceu fechado nos dois, mas alcançou Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio e transformou aquela casa numa pequena comunidade cristã. Séculos mais tarde, a Igreja utilizaria uma expressão belíssima para falar dessa realidade: “Igreja doméstica”. Na família, a criança encontra os primeiros rostos através dos quais pode descobrir o amor de Deus; ali escuta as primeiras palavras sobre Jesus; ali aprende a rezar; ali começa a perceber que a fé não é apenas um ensinamento, mas uma maneira de viver.


 Na casa de Paulo e Tatta, essa Igreja doméstica tornou-se finalmente uma Igreja de mártires.


Entregaram juntos a alma a Deus


Os tormentos continuaram até que seus corpos não puderam mais resistir. O Martirológio Romano encerra a memória desses santos com uma expressão simples e belíssima: depois dos açoites e dos diversos suplícios, “entregaram a alma a Deus”.


 Assim terminou a caminhada terrena daquela família. Paulo entregou a Deus a vida que havia recebido. Tatta fez o mesmo. Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio levaram até o fim a fé que haviam aprendido dentro de casa. A perseguição que pretendia destruir a presença cristã transformou aquela família em seis testemunhas de Cristo.


 A Igreja conservou cuidadosamente todos os seus nomes. Conservou o nome do pai e o da mãe; conservou também o nome de cada filho: Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio. Cada um havia recebido a fé; cada um a havia assumido pessoalmente; cada um permaneceu fiel; cada um entregou a própria vida.


Seis coroas numa mesma família


Desde os primeiros séculos, os cristãos representavam frequentemente o martírio por meio de uma coroa. O mártir havia terminado seu combate e chegava diante de Cristo vencedor. São Paulo exprimiu essa esperança com palavras que parecem particularmente adequadas para essa família: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Desde agora está reservada para mim a coroa da justiça” (2Tm 4,7-8).


 Na família de Paulo e Tatta podemos contemplar seis coroas: uma para o pai, uma para a mãe e uma para cada um dos quatro filhos.


 Talvez seja esta a imagem mais bela que sua história nos deixou. Durante anos, Paulo e Tatta haviam procurado conduzir seus filhos para Deus. Quando chegou a perseguição, puderam ver que os filhos realmente haviam acolhido aquilo que receberam. Aqueles pais haviam conseguido entregar-lhes um tesouro que nem as correntes, nem os açoites, nem os tormentos conseguiram arrancar.


 Por isso, depois de tantos séculos, a Igreja continua pronunciando juntos os seus seis nomes: Paulo e Tatta, Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio. Um marido, uma esposa e quatro filhos que aprenderam a amar Cristo dentro da mesma casa e, quando chegou a hora da prova, permaneceram unidos a Ele até o fim.


 Paulo e Tatta deram a vida aos seus filhos. Deram-lhes também a fé. E, no final de sua caminhada, aconteceu algo extraordinário: chegaram juntos diante de Deus.


Fontes e documentação histórica


A fonte litúrgica fundamental é o Martirológio Romano, que comemora em 25 de setembro, em Damasco, Paulo e Tatta, esposos, e seus filhos Sabiniano, Máximo, Rufo e Eugênio, acusados de professar a religião cristã, espancados e submetidos a outros suplícios até entregarem a alma a Deus. A tradição hagiográfica oriental conserva igualmente os seis nomes e acrescenta elementos relativos à prisão, às correntes, à flagelação e aos demais tormentos. O núcleo histórico e hagiográfico conservado pelas fontes apresenta, portanto, uma realidade particularmente preciosa: pai, mãe e quatro filhos enfrentaram juntos a perseguição e foram venerados juntos pela Igreja como mártires de Cristo.


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