
28 lug 2026
☀️ Santo do dia: Santos Nazário e Celso
dois santos, dois mártires, uma única missão
No dia 28 de julho, a Igreja celebra os Santos Nazário e Celso, dois santos mártires que deram a vida juntos por Jesus Cristo. A amizade entre eles tornou-se um dos testemunhos mais belos dos primeiros séculos do cristianismo. Um era missionário experiente; o outro, seu jovem discípulo. Juntos anunciaram o Evangelho, enfrentaram perseguições e receberam juntos a coroa do martírio.
As informações históricas sobre esses dois santos chegaram até nós misturadas com antigas tradições cristãs. Há poucos dados historicamente seguros sobre suas vidas. Entretanto, sabemos com certeza que seu culto é antiquíssimo e que, no final do século IV, Santo Ambrósio, bispo de Milão, encontrou suas relíquias e promoveu solenemente sua veneração. Desde então, a Igreja os honra sempre unidos: São Nazário e São Celso, ambos santos e ambos mártires.
Segundo a tradição mais antiga, Nazário nasceu em Roma, provavelmente na segunda metade do século I. Seu pai era pagão, enquanto sua mãe, Santa Perpétua, era cristã e educou o filho na fé desde a infância.
Algumas tradições afirmam que Nazário conheceu pessoalmente discípulos dos Apóstolos, talvez até São Pedro ou São Lino, sucessor de Pedro. Esse detalhe não pode ser comprovado historicamente, mas mostra como a Igreja sempre o considerou ligado às primeiras gerações cristãs.
Ainda jovem, decidiu dedicar toda a sua vida à evangelização. Em vez de permanecer em Roma, partiu como missionário para as províncias do norte do Império Romano.
Naquele tempo, a Gália — território que corresponde principalmente à atual França — possuía poucas comunidades cristãs, frequentemente pequenas e perseguidas. Havia cidades importantes, como Embrun, Vienne, Aix-en-Provence e outras localidades onde comerciantes, soldados e famílias cristãs viviam espalhados entre uma população majoritariamente pagã.
Foi justamente nessas regiões que Nazário desenvolveu grande parte de seu apostolado. Viajava continuamente pelas estradas romanas, visitando cidade após cidade. Procurava primeiro os pequenos grupos de cristãos já existentes, fortalecia sua fé, celebrava a comunhão entre eles e depois anunciava Cristo aos pagãos que desejavam conhecer o Evangelho.
Sua missão não consistia apenas em pregar. Visitava os presos, cuidava dos doentes, ajudava os pobres, socorria as viúvas e animava os cristãos que começavam a desanimar por causa das perseguições. Sabia que evangelizar significava tornar visível a misericórdia de Cristo através da própria vida.
Foi durante uma dessas viagens missionárias pela Gália que aconteceu o encontro que mudaria para sempre a história de ambos.
Numa cidade daquela região, Nazário conheceu uma mulher cristã chamada Marciana, mãe de Celso. Impressionado com a abertura daquele jovem à fé, começou a instruí-lo cuidadosamente nos ensinamentos de Jesus Cristo.
Explicava-lhe o Evangelho, ensinava-lhe as Escrituras e mostrava-lhe, sobretudo com o próprio exemplo, como vive um verdadeiro discípulo de Cristo.
Depois de concluída sua formação, Nazário batizou Celso.
A partir desse momento, passaram a caminhar sempre juntos.
A tradição cristã apresenta Celso como o fiel companheiro de missão de Nazário. Embora não saibamos com precisão sua idade, é claro que se tornou seu discípulo mais próximo, compartilhando sua vida apostólica e, mais tarde, também seu martírio.
É uma das mais belas lições dessa história: a santidade transmite-se pela convivência. Nazário não formou Celso apenas com ensinamentos. Formou-o viajando com ele, rezando ao seu lado, servindo os pobres e mostrando diariamente como seguir Jesus.
Durante anos, os dois missionários percorreram as províncias da Gália e depois atravessaram os Alpes em direção ao norte da Itália. Passavam por cidades como Vienne, Embrun, Aix e, segundo a tradição, chegaram também à região de Milão, onde mais tarde sofreriam o martírio.
Em cada comunidade encontravam poucos cristãos reunidos discretamente nas casas. Ali liam as Escrituras, ensinavam a doutrina dos Apóstolos, preparavam os catecúmenos para receber o Batismo, fortaleciam aqueles que tinham medo das perseguições e encorajavam todos a permanecerem unidos à Igreja. Como ainda não existiam paróquias nem igrejas públicas, essas pequenas comunidades domésticas eram o coração da vida cristã dos primeiros séculos.
Os antigos relatos contam que muitos pagãos se convertiam ao ver a serenidade daqueles dois missionários. Sem riquezas, sem exércitos e sem qualquer poder político, anunciavam um Reino que não era deste mundo.
Naturalmente, esse crescimento do cristianismo chamou a atenção das autoridades romanas.
Foram presos diversas vezes por se recusarem a oferecer sacrifícios aos deuses do Império. Em uma dessas ocasiões, segundo a tradição, chegaram a ser lançados ao mar, mas sobreviveram e continuaram imediatamente sua missão.
Mais tarde foram novamente levados diante dos governantes e receberam a ordem de renunciar à fé.
As antigas Atas resumem a profissão de fé de Nazário nestas palavras:
"Só Jesus Cristo é o verdadeiro Senhor."
Celso permaneceu igualmente firme ao lado de seu mestre.
Segundo a tradição hagiográfica, respondeu:
"Nunca abandonarei Aquele que me deu a vida eterna."
Essas frases não são transcrições literais de documentos contemporâneos, mas exprimem fielmente a tradição transmitida pela Igreja desde os primeiros séculos.
Finalmente ambos foram conduzidos a Milão, onde receberam a sentença definitiva.
Ali, São Nazário e São Celso, unidos na missão, foram também unidos no martírio. Os dois foram decapitados por confessarem publicamente a fé em Jesus Cristo. A Igreja sempre os venerou juntos porque juntos anunciaram o Evangelho, juntos sofreram por Cristo e juntos entraram na glória do Céu.
Durante aproximadamente trezentos anos, seus túmulos permaneceram quase esquecidos.
Então aconteceu um fato extraordinário.
No ano 395, Santo Ambrósio, bispo de Milão, afirmou ter recebido de Deus a inspiração para procurar seus restos mortais. Encontrou seus corpos e realizou solenemente a transferência das relíquias para uma nova basílica. O próprio Santo Ambrósio descreve esse acontecimento em suas cartas. A partir desse momento, a devoção aos Santos Nazário e Celso espalhou-se rapidamente por toda a Igreja.
Mais importante do que o extraordinário encontro de suas relíquias é o exemplo que deixaram. Eles mostram que a fé cresce quando um cristão acompanha outro cristão. Nazário dedicou sua vida a formar um discípulo. Celso respondeu com fidelidade total. Ambos permaneceram unidos até o fim.
Hoje, esses dois santos mártires continuam recordando aos pais, catequistas, sacerdotes, missionários e educadores que ninguém evangeliza sozinho. A Igreja cresce através de relações pessoais, da amizade em Cristo, do testemunho de vida e da coragem de permanecer fiel ao Evangelho, mesmo quando isso exige o sacrifício da própria vida.
Referências
Martirológio Romano, 28 de julho.
Santo Ambrósio de Milão, Epístula 22 (descoberta e translação das relíquias).
Acta Sanctorum, 28 de julho.
Bibliotheca Hagiographica Latina, n. 6039–6041.
Paulino de Milão, Vida de Santo Ambrósio.
Vatican News – Santos Nazário e Celso.