
29 lug 2026
☀️ Santo do dia: Santos Marta, Maria e Lázaro
Os três irmãos que tiveram Jesus como amigo
Entre todas as famílias mencionadas nos Evangelhos, existe uma que ocupa um lugar absolutamente único: a de Marta, Maria e Lázaro, três irmãos que viviam na pequena aldeia de Betânia, situada na encosta oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de três quilômetros de Jerusalém. Sempre que Jesus subia à Cidade Santa para celebrar a Páscoa ou participar das grandes festas judaicas, costumava passar por Betânia. Ali não encontrava apenas um lugar para descansar, mas um verdadeiro lar. Os Evangelhos deixam claro que existia entre eles uma amizade profunda e sincera. São João chega a afirmar explicitamente: "Jesus amava Marta, sua irmã Maria e Lázaro" (Jo 11,5).
Pouco sabemos sobre seus pais ou sobre sua infância. As fontes históricas mais seguras são exclusivamente os Evangelhos. Neles encontramos apenas o essencial: os três irmãos moravam juntos, possuíam uma casa relativamente confortável para os padrões da época e eram conhecidos entre os discípulos de Jesus. Betânia era uma pequena aldeia agrícola, cercada por oliveiras, figueiras e vinhas, localizada na antiga estrada que ligava Jericó a Jerusalém. A casa da família tornou-se um dos lugares onde Jesus mais gostava de permanecer durante seu ministério na Judeia.
A primeira cena que os Evangelhos apresentam acontece quando Jesus visita sua casa. Enquanto Marta se preocupa em preparar tudo para receber o Mestre, Maria senta-se aos seus pés para ouvir seus ensinamentos. Irritada por fazer todo o serviço sozinha, Marta pede ajuda: "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Dize-lhe que me ajude." Jesus responde com delicadeza, sem condenar seu trabalho, mas lembrando-lhe o que era mais importante naquele momento: "Marta, Marta! Tu te inquietas e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada." (Lc 10,41-42). Desde os primeiros séculos, a Igreja viu nesse episódio um ensinamento sobre o equilíbrio entre a vida ativa e a vida contemplativa: servir é indispensável, mas toda atividade cristã deve nascer da escuta da Palavra de Deus.
Algum tempo depois, aconteceu um dos episódios mais impressionantes de todo o Evangelho. Lázaro adoeceu gravemente. As duas irmãs enviaram imediatamente um recado a Jesus: "Senhor, aquele que amas está doente." (Jo 11,3). Entretanto, Jesus permaneceu onde estava por mais dois dias. Quando finalmente chegou a Betânia, Lázaro já havia sido sepultado havia quatro dias. Segundo a tradição judaica daquele tempo, esse detalhe tinha enorme importância, pois significava que toda esperança humana já havia desaparecido.
Ao saber da chegada de Jesus, Marta foi ao seu encontro. Mesmo mergulhada na dor, pronunciou uma das maiores profissões de fé de todo o Novo Testamento: "Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas mesmo agora sei que tudo o que pedires a Deus, Deus te concederá." (Jo 11,21-22). Quando Jesus lhe anuncia a ressurreição, Marta responde com palavras que lembram a profissão de fé de Pedro: "Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo." (Jo 11,27).
Maria também corre ao encontro do Mestre. Ao vê-lo, lança-se aos seus pés e repete exatamente as mesmas palavras da irmã: "Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido." (Jo 11,32). Diante do sofrimento de Maria, dos amigos e de toda a família, acontece um dos versículos mais comoventes da Sagrada Escritura: "Jesus chorou." (Jo 11,35). O Filho de Deus, que sabia que ressuscitaria Lázaro poucos instantes depois, não permaneceu indiferente diante da dor humana. Ele compartilhou plenamente o sofrimento daqueles que amava.
Chegando ao túmulo, uma gruta fechada por uma grande pedra, Jesus ordenou que ela fosse retirada. Marta ainda advertiu: "Senhor, já cheira mal; é o quarto dia." (Jo 11,39). Depois de elevar os olhos ao Pai, Jesus bradou em alta voz: "Lázaro, vem para fora!" (Jo 11,43). O morto saiu do túmulo ainda envolvido pelas faixas funerárias. Esse foi o último e o maior dos sinais realizados por Jesus antes de sua própria Paixão. São João apresenta esse milagre como um anúncio da vitória definitiva de Cristo sobre a morte.
A ressurreição de Lázaro teve enorme repercussão em Jerusalém. Muitos passaram a acreditar em Jesus, enquanto outros foram informar os chefes dos sacerdotes. Foi então que o Sinédrio decidiu definitivamente condenar Jesus à morte (Jo 11,53). Poucos dias depois, também Lázaro passou a ser perseguido, pois muitos judeus acreditavam em Cristo por causa de seu testemunho. O Evangelho registra: "Os chefes dos sacerdotes resolveram matar também Lázaro." (Jo 12,10-11). É a única notícia segura que possuímos sobre sua vida após a ressurreição.
Seis dias antes da Páscoa, Jesus voltou novamente à casa dos três irmãos. Durante um jantar, Marta servia os convidados, enquanto Lázaro estava à mesa com o Mestre. Maria aproximou-se trazendo um frasco de perfume de nardo puro, extremamente caro. Derramou-o sobre os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. Judas Iscariotes protestou dizendo que aquele perfume poderia ter sido vendido para ajudar os pobres. Jesus respondeu: "Deixa-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura." (Jo 12,7). Aquele gesto tornou-se uma das mais belas expressões de amor e adoração presentes em todo o Evangelho.
Depois da Ascensão de Jesus, o Novo Testamento não volta a mencionar os três irmãos. Diversas tradições surgiram nos séculos seguintes. Algumas afirmam que Lázaro teria se tornado bispo de Chipre; outras dizem que Marta e Maria evangelizaram o sul da Gália, na atual França. Entretanto, essas narrativas não pertencem às fontes históricas seguras. Elas aparecem apenas em escritos posteriores e não podem ser confirmadas pelos documentos mais antigos da Igreja.
Por isso, quando celebramos os Santos Marta, Maria e Lázaro, a Igreja fundamenta sua memória sobretudo naquilo que os Evangelhos testemunham com certeza: eles abriram sua casa ao Senhor, tornaram-se seus amigos íntimos, ouviram sua Palavra, serviram-no com amor, acreditaram nele mesmo em meio à dor e testemunharam um dos maiores milagres da história da salvação. Em 2021, o Papa Francisco determinou que os três fossem celebrados juntos no Calendário Romano, para recordar que a vida cristã floresce quando une, na mesma família, a contemplação de Maria, o serviço de Marta e a esperança de Lázaro, que experimentou a força daquele que declarou: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá." (Jo 11,25).
Fontes históricas principais
Sagrada Escritura: Lucas 10,38-42; João 11,1-57; João 12,1-11.
Martirológio Romano, edição típica.
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Decreto Cum Apostoli (26 de janeiro de 2021), que estende a memória litúrgica aos Santos Marta, Maria e Lázaro.
Catecismo da Igreja Católica, especialmente sobre a amizade com Cristo e a esperança na ressurreição (nn. 994-1019).