
26 ago 2026
☀️ Santo do dia: Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars
A mulher que encontrou Cristo nos idosos abandonados
Teresa Jornet nasceu em 9 de janeiro de 1843, em Aitona, na Catalunha, Espanha, numa família cristã de agricultores. Desde jovem sentia o desejo de entregar sua vida a Deus, mas não descobriu imediatamente qual seria o caminho concreto dessa entrega. Por volta dos 18 anos, preparou-se para ser professora e começou a ensinar. A educação fazia parte de sua vida, mas Teresa continuava procurando uma forma de consagração mais completa.
Em 1868, aos 25 anos, tentou a vida contemplativa entre as Clarissas de Briviesca, na província de Burgos. Pensou que talvez Deus a quisesse no silêncio de um mosteiro, mas sua saúde não permitiu que permanecesse ali. Teresa precisou sair. Sabia a quem queria entregar sua vida: a Deus. Ainda precisava descobrir onde Deus a queria.
A resposta começou a aparecer quando estava com 29 anos. Por meio do sacerdote Pedro Llacera, Teresa conheceu o projeto do padre Saturnino López Novoa, que desejava criar uma obra para acolher idosos pobres e abandonados. Na Espanha do século XIX, um idoso sem recursos e sem família podia chegar ao final da vida na miséria, sem assistência e completamente sozinho. Teresa encontrou nessas pessoas a missão que havia procurado durante tantos anos.
Em 1872, chegou a Barbastro, em Aragão, para participar da nova obra. Em 27 de janeiro de 1873, aos 30 anos, Teresa e as primeiras companheiras receberam o hábito religioso. Nasciam as Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados, fundadas por Saturnino López Novoa com a colaboração decisiva de Teresa Jornet, que assumiria a condução da nova família religiosa. A própria Congregação considera essa data o início oficial do Instituto.
Teresa não queria simplesmente abrir lugares onde idosos pobres recebessem comida e uma cama. Queria que fossem acolhidos como numa família, atendidos em suas necessidades materiais, espirituais e afetivas. Para ela, a fonte desse amor estava no próprio Cristo. Dizia: “O Coração de Jesus arde em chamas de amor puríssimo. É com esse mesmo amor que devemos tratar sempre os nossos idosos, preocupando-nos profundamente com seu bem-estar, tanto nesta vida como na eternidade.”¹
Essa caridade precisava aparecer sobretudo quando cuidar se tornava difícil. Teresa conhecia os idosos reais que chegavam às suas casas: pobres, muitas vezes doentes e marcados por anos de sofrimento. Por isso repetia às religiosas: “Irmãzinhas, tenhamos muita caridade com os idosos. Saibam que eles são a parte escolhida que Deus nos confia; e Deus recebe aquilo que fazemos por eles como se o fizéssemos ao próprio Deus.”²
O testemunho recolhido para seu processo de canonização acrescenta um detalhe muito concreto: Teresa costumava inspecionar pessoalmente os serviços destinados aos idosos, especialmente aos enfermos, para verificar se estavam sendo bem cuidados.
E quando algum idoso se tornava particularmente difícil, Teresa era ainda mais clara: “Nunca digam aos idosos, por mais difíceis que sejam, que, se não estão contentes, a porta está aberta e podem ir embora. Ao contrário, tratem-nos com paciência e caridade, porque, se não existissem os pobres idosos, também não existiriam as Irmãzinhas.”³
Esta última frase revela muito bem o pensamento de Teresa. Os idosos abandonados não existiam para a Congregação; a Congregação existia para eles. O serviço não podia depender do temperamento agradável de quem era acolhido. As Irmãzinhas tinham nascido justamente para servir aqueles idosos pobres e desamparados. A própria tradição da Congregação conserva outra consigna atribuída à fundadora: “Cuidar dos corpos para salvar as almas.”
Enquanto isso, a obra crescia. Teresa viajava para acompanhar novas fundações, formar as religiosas e enfrentar as dificuldades de cada casa. A expansão também lhe custava lágrimas. Quando as Irmãzinhas partiram para fundações distantes, chegou a escrever: “Deus seja bendito! Quantas lágrimas me custam estas fundações!”⁵ Ainda assim, continuou abrindo casas porque cada nova fundação significava que outros idosos pobres poderiam ser acolhidos.
O crescimento foi extraordinário. Em poucas décadas, a pequena comunidade iniciada em Barbastro espalhou-se pela Espanha e atravessou o oceano em direção à América. Teresa governou a Congregação com numerosas visitas às comunidades e uma enorme correspondência: a própria Congregação conserva a memória de mais de duas mil cartas e circulares por meio das quais transmitia seu espírito às Irmãzinhas.
Mas seu corpo começou a enfraquecer. Teresa adoeceu de tuberculose. A mulher que durante tantos anos havia cuidado da fragilidade dos outros passou a experimentar pessoalmente a doença e a dependência.
Em julho de 1897, já muito debilitada, recebeu a Unção dos Enfermos e o Viático. Do leito de morte, voltou mais uma vez ao assunto que havia ocupado sua vida inteira. Ditou às religiosas aquilo que se tornou seu testamento espiritual: “Cuidem com interesse e dedicação dos idosos; tenham muita caridade e observem fielmente as Constituições. Nisso está a nossa santificação.”⁶
Não falou do tamanho que sua Congregação havia alcançado. Não falou de prestígio ou de suas realizações. Falou novamente dos idosos abandonados. Pouco depois recebeu a notícia da aprovação definitiva das Constituições da Congregação. Teresa morreu em Llíria, perto de Valência, na madrugada de 26 de agosto de 1897, aos 54 anos.
Em 27 de janeiro de 1974, o Papa São Paulo VI a canonizou. A jovem que aos 25 anos havia visto fechar-se a porta do mosteiro encontrara finalmente sua vocação junto daqueles que muitas vezes encontravam todas as outras portas fechadas: os idosos pobres e abandonados.
Sua vida pode ser resumida nas palavras que deixou às próprias Irmãzinhas: tratá-los com o amor do Coração de Jesus, ter paciência com os mais difíceis, cuidar deles com dedicação e reconhecer que sem aqueles pobres idosos a própria Congregação não teria razão de existir.
Teresa encontrou Cristo no idoso que precisava ser alimentado, no enfermo que precisava de cuidados e naquele que talvez já não tivesse ninguém esperando por ele. E permaneceu servindo-o até o fim.
Notas — palavras de Santa Teresa no original espanhol
1. “El Corazón de Jesús arde en llamas de purísimo amor. Con este amor purísimo es necesario que tratemos siempre a nuestros ancianos, interesándonos muchísimo de su bienestar temporal y eterno.” A frase é conservada pela própria Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados.
2. “Hermanitas, tengamos mucha caridad con los ancianos. Sepan que son la parte escogida que Dios nos da y Él recibe lo que a ellos se hace como si lo hiciéramos al mismo Dios. Él lo recompensará.” O testemunho remete à Positio do processo de canonização, p. 192.
3. “No digan nunca a los ancianos, por incorregibles que sean, que si no están contentos tienen la puerta abierta y se pueden marchar. Por el contrario, trátenlos con paciencia y caridad, pues si no estuviesen los pobres ancianos, tampoco existirían las hermanitas.” O texto é citado a partir da documentação do processo; outra biografia remete a P.S.V., p. 119.
4. “No le digo nada de la procesión de los ancianos; habría llorado al ver la comunidad y nuestros pobres en estos caminos.” Carta de Teresa no contexto da retirada dos idosos durante os acontecimentos de Valência de 1873.
5. “Dios sea bendito, ¡qué lágrimas me cuestan estas fundaciones!” Palavra conservada na documentação biográfica da Congregação a propósito da expansão da obra.
6. “Cuiden con interés y esmero a los ancianos; ténganse mucha caridad y observen fielmente las Constituciones: en esto está nuestra santificación.” Testamento espiritual ditado durante sua última doença, em 1897.
Fontes principais
A fonte institucional principal é a Congregação das Hermanitas de los Ancianos Desamparados, especialmente sua biografia oficial da fundadora, a apresentação do carisma e suas publicações históricas. Para as palavras e episódios provenientes dos testemunhos do processo de canonização, foram consultados materiais que reproduzem referências à Positio super virtutibus, inclusive as páginas indicadas acima. Para o testamento espiritual, há ainda documentação da própria Congregação que registra as circunstâncias de julho e agosto de 1897.