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22 lug 2026

☀️ Santo do dia: Santa Maria Madalena 

A mulher que mais procurou Cristo e foi a primeira a encontrá-Lo Ressuscitado


No dia 22 de julho, a Igreja celebra a Festa de Santa Maria Madalena, uma das maiores discípulas de Jesus e a primeira pessoa a quem Cristo Ressuscitado apareceu. 


Em 2016, o Papa Francisco elevou sua celebração litúrgica de memória para Festa, colocando-a ao lado dos Apóstolos. O decreto da Santa Sé recorda o antigo título dado por São Tomás de Aquino: "Apóstola dos Apóstolos" (apostolorum apostola), porque foi enviada pelo próprio Cristo para anunciar aos Apóstolos a notícia mais importante da história: "Eu vi o Senhor!" (Jo 20,18). Ela é “padroeira” e “modelo” da Nova Evangelização.


Maria era natural de Magdala, cidade situada na margem ocidental do Mar da Galileia, cerca de seis quilômetros ao norte de Tiberíades. Era uma cidade rica, conhecida pela pesca, pela salga de peixes e pelo intenso comércio. As escavações arqueológicas realizadas nas últimas décadas revelaram ruas pavimentadas, um porto, mercados e uma magnífica sinagoga do século I, mostrando que Magdala era uma das cidades mais importantes da Galileia na época de Jesus.


Os Evangelhos apresentam Maria Madalena dizendo apenas uma coisa sobre seu passado:"Dela haviam saído sete demônios." (Lc 8,2; Mc 16,9)


O que significa essa expressão? Na Bíblia, o número sete indica normalmente plenitude, totalidade ou perfeição. Por isso, muitos Padres da Igreja entenderam que os "sete demônios" representam uma escravidão completa ao poder do mal.


São Beda, o Venerável, explica que o número sete simboliza a totalidade dos vícios que dominavam a pessoa antes de sua conversão


Rábano Mauro (780–856, monge beneditino, arcebispo de Mogúncia, um dos maiores biblistas da Idade Média. Conhecido como o "Preceptor da Germânia", escreveu importantes comentários sobre quase toda a Sagrada Escritura)  segue a mesma interpretação, vendo nessa expressão uma alma completamente sujeita ao pecado e libertada integralmente pela graça de Cristo. Outros autores medievais aplicam essa imagem aos sete vícios capitais, isto é, ao orgulho, avareza, luxúria, inveja, gula, ira e acidia


O que os Evangelhos desejam mostrar é algo muito importante: ninguém estava tão profundamente aprisionado que não pudesse ser totalmente libertado por Cristo. E foi exatamente isso que aconteceu.


Depois daquele encontro com Jesus, sua vida mudou completamente.


São Lucas conta que Maria Madalena passou a acompanhar Jesus durante suas viagens missionárias, juntamente com outras mulheres, "servindo-o com seus bens" (Lc 8,3). Colocou sua vida, seu tempo e seus recursos inteiramente a serviço do Evangelho. Mas aquilo que mais impressionou os Padres da Igreja não foi o seu passado. Foi o seu amor apaixonado por Jesus.


A liturgia da própria Igreja revela isso de maneira extraordinária. Na Festa de Santa Maria Madalena, a primeira leitura é retirada do Cântico dos Cânticos:

"Procurei o amado da minha alma. Procurei-o e não o encontrei... Quando encontrei o amado da minha alma, segurei-o e não o deixarei mais." (Ct 3,1-4)

A Igreja reconhece em Maria Madalena a imagem da Esposa que procura apaixonadamente o seu Esposo, símbolo da alma que ama Cristo acima de todas as coisas

.

São Gregório de Nissa afirma que toda alma verdadeiramente apaixonada por Deus jamais deixa de procurar o Esposo divino. Maria Madalena torna-se o exemplo perfeito dessa busca.


Santo Ambrósio observa que, quando todos já tinham ido embora, ela permaneceu junto ao sepulcro. Seu amor recusava-se a desistir.


Santo Agostinho, comentando o Evangelho de João, escreve: "Ela procurava aquele que julgava morto; encontrou aquele que vive para sempre." (In Ioannis Evangelium, 121)

São Tomás de Aquino oferece uma das explicações mais belas de toda a tradição: Cristo apareceu primeiro a Maria Madalena "propter ardorem caritatis" — "por causa do ardor de sua caridade" (Super Ioannem, cap. 20, lect. 3).


Foi o amor que preparou seus olhos para reconhecer primeiro o Ressuscitado.


Esse amor apareceu sobretudo durante a Paixão. Quando muitos discípulos fugiram por medo, Maria permaneceu junto da Cruz. Ela assistiu à morte de Jesus. Viu onde seu corpo foi colocado. E, antes mesmo do nascer do sol do domingo, voltou ao sepulcro levando perfumes para concluir os ritos funerários. Encontrou a pedra removida. Correu para avisar Pedro e João. Depois que os dois Apóstolos foram embora, ela permaneceu ali. Chorava. Não queria abandonar aquele lugar enquanto não encontrasse o seu Senhor. 


Ela amou Jesus com toda a intensidade do seu coração, mas esse amor nunca foi possessivo, sensual ou “conjugal”. Foi um amor inteiramente purificado pela graça. O desejo que antes podia estar disperso entre muitos “vícios e… demônios”,  foi concentrado numa única Pessoa. Seu eros tornou-se busca incansável, fidelidade até a Cruz, contemplação do Ressuscitado e missão apostólica. Como ensina Bento XVI, o eros não foi destruído, mas elevado, purificado e transformado em ágape. Maria Madalena mostra que o coração humano não é chamado a amar menos, mas a amar infinitamente melhor: com um desejo tão intenso que já não busca possuir o Amado, mas entregar-se completamente a Ele e conduzir outros ao seu encontro. 


Maria Madalena tornou-se, assim, a primeira mensageira da Ressurreição. Correu ao encontro dos Apóstolos proclamando: "Eu vi o Senhor!" (Jo 20,18)


Foi essa missão que levou São Tomás de Aquino a chamá-la de Apóstola dos Apóstolos.

Os Evangelhos nada dizem sobre seus últimos anos. Existem antigas tradições que a colocam em Éfeso ou no sul da França, mas nenhuma delas pode ser comprovada historicamente.


Aquilo que permanece absolutamente certo é muito mais importante. A mulher que um dia fora completamente libertada por Cristo tornou-se aquela que mais O procurou, mais permaneceu junto d'Ele na hora da Cruz e a primeira a contemplar a glória da Ressurreição.



Virtudes heroicas


  • Conversão radical: deixou-se transformar inteiramente pela graça de Cristo.

  • Gratidão: respondeu ao dom recebido entregando toda a sua vida ao Senhor.

  • Amor ardente: procurou Cristo sem desanimar, tornando-se para a Igreja a imagem da Esposa do Cântico dos Cânticos.

  • Fidelidade: permaneceu aos pés da Cruz quando muitos discípulos fugiram.

  • Esperança: continuou procurando o Senhor mesmo quando tudo parecia perdido.

  • Zelo apostólico: foi enviada pelo próprio Cristo para anunciar aos Apóstolos a Ressurreição.



Referências históricas


  • Sagrada Escritura: Lc 8,1-3; Mt 27–28; Mc 15–16; Jo 19–20; Ct 3,1-4.

  • Santo Agostinho, In Ioannis Evangelium, Tractatus 121.

  • São Gregório de Nissa, Homilias sobre o Cântico dos Cânticos.

  • Santo Ambrósio, Expositio Evangelii secundum Lucam.

  • São Tomás de Aquino, Super Evangelium S. Ioannis Lectura, cap. 20, lectio 3.

  • Congregação para o Culto Divino, Decreto Apostolorum Apostola (2016).

  • Papa Francisco, Decreto de elevação da memória de Santa Maria Madalena à categoria de Festa.


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