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25 lug 2026

☀️ Santo do dia: São Tiago Maior 

o discípulo que queria os primeiros lugares e aprendeu a dar a vida por Cristo


No dia 25 de julho, a Igreja celebra a festa de São Tiago Maior, um dos doze Apóstolos e um dos amigos mais íntimos de Jesus. Chamado de "Maior" apenas para distingui-lo de outro apóstolo chamado Tiago, ele foi um homem de temperamento forte, coração generoso e grande capacidade de mudança. Sua história mostra que Deus não escolhe pessoas perfeitas, mas pessoas dispostas a deixar-se transformar.

Tiago nasceu na Galileia, provavelmente em Betsaida ou Cafarnaum, no início do século I. Era filho de Zebedeu, um pescador relativamente próspero, e de Salomé, uma das mulheres que acompanharam Jesus até a cruz. Trabalhava com o pai e com seu irmão mais novo, João, quando Jesus passou pela margem do lago da Galileia e lhes dirigiu um convite que mudaria completamente suas vidas: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens" (Mt 4,19). Eles deixaram imediatamente as redes e seguiram o Mestre.

Desde o início, Tiago pertenceu ao grupo mais próximo de Jesus. Juntamente com Pedro e João, esteve presente em momentos que nenhum outro apóstolo pôde presenciar. Viu Jesus ressuscitar a filha de Jairo (Mc 5,37), contemplou sua glória na Transfiguração sobre o monte Tabor (Mt 17,1-8) e permaneceu ao seu lado durante a agonia no Getsêmani, quando Cristo começou a carregar o peso da paixão (Mc 14,33).

Mas Tiago ainda precisava amadurecer. Jesus deu a ele e ao irmão um apelido curioso: "Boanerges", que significa "Filhos do Trovão" (Mc 3,17). O nome revelava seu temperamento impulsivo. Quando uma aldeia samaritana recusou acolher Jesus, Tiago perguntou: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?" (Lc 9,54). Em outra ocasião, sua mãe pediu que os dois filhos ocupassem os primeiros lugares no Reino de Deus (Mt 20,20-21). Eles ainda imaginavam um Messias poderoso segundo os critérios humanos.

O Papa Bento XVI observa que Jesus não destruiu esse entusiasmo; preferiu purificá-lo. Aos poucos, Tiago compreendeu que a verdadeira grandeza não consiste em dominar, mas em servir. Jesus respondeu ao seu pedido com uma pergunta decisiva: "Podeis beber o cálice que eu vou beber?" (Mt 20,22). Naquele momento, Tiago respondeu sem compreender plenamente. Somente mais tarde descobriria que esse cálice era o da entrega da própria vida.

Bento XVI comenta que a história de Tiago é a história de todo cristão. Todos gostaríamos de seguir Cristo sem passar pela cruz. No entanto, Jesus educa seus discípulos para compreender que "o caminho da glória passa necessariamente pela paixão". Não existe ressurreição sem entrega, nem verdadeira alegria sem amor que saiba sacrificar-se.

Depois da ressurreição e de Pentecostes, Tiago tornou-se uma das grandes colunas da Igreja nascente. Os Atos dos Apóstolos não narram muitos episódios de sua atividade missionária, justamente porque sua missão foi breve, mas profundamente fecunda. Segundo uma antiga tradição cristã, antes de voltar a Jerusalém teria anunciado o Evangelho em regiões da Hispânia, origem da secular devoção espanhola ao Apóstolo.

Por volta do ano 44 d.C., o rei Herodes Agripa I, desejando agradar aos adversários da Igreja, iniciou uma perseguição contra os cristãos. Tiago foi preso e condenado à morte. Os Atos dos Apóstolos registram esse momento com poucas palavras, mas de enorme força: "Herodes mandou matar à espada Tiago, irmão de João" (At 12,2). Assim, tornou-se o primeiro dos Doze Apóstolos a derramar o sangue por Cristo, cumprindo exatamente aquilo que Jesus lhe havia anunciado anos antes: beber o mesmo cálice do Mestre.

Uma antiga tradição, transmitida desde a Idade Média, conta que seus discípulos levaram seu corpo para a região da Galícia, na atual Espanha. Séculos depois surgiu ali a cidade de Santiago de Compostela, que se tornou um dos maiores destinos de peregrinação do mundo cristão. Milhões de pessoas percorrem o famoso Caminho de Santiago, não apenas para alcançar um lugar, mas para renovar a própria fé. Como recordava Bento XVI, toda peregrinação cristã simboliza a vida: caminhamos continuamente ao encontro de Cristo.

A vida de São Tiago nos ensina que Deus não elimina nossas qualidades; Ele as purifica. O jovem impulsivo, que sonhava com poder e prestígio, tornou-se um mártir humilde que ofereceu silenciosamente a própria vida pelo Evangelho. O "Filho do Trovão" transformou-se numa testemunha do amor de Cristo. Essa é a verdadeira santidade: permitir que Jesus transforme nossas ambições em serviço, nosso orgulho em humildade e nossa força em amor.


Uma frase de Bento XVI

"Tiago teve de aprender que a verdadeira glória consiste em participar da paixão de Cristo, e não em ocupar os primeiros lugares. Assim, amadureceu até dar o supremo testemunho do martírio."

— Bento XVI, Audiência Geral, 21 de junho de 2006.



Referências

  • Bíblia Sagrada: Mt 4,18-22; Mt 17,1-8; Mt 20,20-28; Mc 3,17; Mc 5,37; Mc 14,33; Lc 9,51-56; At 12,1-2.

  • Bento XVI, Audiência Geral sobre São Tiago Maior, 21 de junho de 2006.

  • Martirológio Romano, 25 de julho.

  • Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, II, 9.

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