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15 lug 2026
☀️ Santo do dia: São Pedro Nguyễn Bá Tuân:
o sacerdote que envelheceu servindo e morreu por amor a Cristo
Já tinha cerca de setenta anos. Depois de uma vida inteira anunciando o Evangelho, qualquer pessoa entenderia se ele decidisse descansar. As perseguições contra os cristãos estavam cada vez mais violentas, seu corpo já não tinha a força da juventude e a prisão ou a morte podiam chegar a qualquer momento. Mas São Pedro Nguyễn Bá Tuân acreditava que um sacerdote não deixa de ser pastor quando envelhece. Enquanto existisse um cristão precisando da Eucaristia, da Confissão ou de uma palavra de esperança, sua missão continuava. Foi essa fidelidade que o conduziu ao martírio.
Pedro Nguyễn Bá Tuân nasceu por volta do ano 1766, na pequena aldeia de Ngọc Đồng, no norte do atual Vietnã. Naquela época, o cristianismo ainda era uma religião jovem no país. Missionários dominicanos vindos da Europa anunciavam o Evangelho, formavam comunidades e preparavam catequistas, mas a paz durava pouco. As perseguições surgiam frequentemente, e professar a fé em Cristo podia significar perder a liberdade ou a própria vida.
Desde jovem, Pedro destacava-se pela serenidade, pela inteligência e pelo profundo amor à oração. Os missionários perceberam rapidamente sua vocação e o enviaram para a formação sacerdotal. Anos depois, foi ordenado presbítero por São Clemente Inácio Delgado Cebrián, bispo dominicano que também daria a vida por Cristo.
Exerceu silenciosamente o ministério sacerdotal em diversas regiões do Tonquim, no norte do Vietnã. Naquela época, uma única paróquia costumava reunir cerca de 3.000 a 4.000 cristãos, distribuídos em trinta ou mais pequenas comunidades, muitas delas escondidas entre arrozais, rios, montanhas e florestas. Algumas reuniam apenas 20 ou 30 fiéis; outras chegavam a algumas centenas de pessoas. Os sacerdotes precisavam deslocar-se continuamente para celebrar a Eucaristia, administrar os sacramentos e sustentar a fé daqueles cristãos, que viviam sob constante ameaça das perseguições imperiais. Durante quase trinta anos, percorreu essas aldeias escondidas entre montanhas e arrozais, celebrou a Missa em casas simples, batizou crianças, ouviu confissões, preparou catecúmenos e fortaleceu comunidades que viviam sob constante ameaça. Cada dia podia ser o último. Mesmo assim, nunca abandonou seu rebanho. Os cristãos lembravam-se dele como um padre humilde, próximo das famílias, sempre disposto a caminhar longas distâncias para visitar um doente ou levar os sacramentos a quem mais precisava.
Sua maior prova chegou quando já era idoso. Recebeu a notícia de que o missionário dominicano São José Fernández Hiền estava gravemente doente e escondido para escapar da perseguição. Todos sabiam que procurá-lo era extremamente perigoso. As autoridades imperiais vigiavam rigorosamente os missionários. Quem fosse encontrado ajudando um sacerdote poderia ser preso e condenado à morte. Pedro não fez cálculos. Não pensou na própria idade. Nem perguntou quais seriam as consequências. Partiu imediatamente para socorrer o irmão sacerdote. Naquele gesto revelou uma das mais belas virtudes do seu coração: a caridade sacerdotal. Para ele, nenhum padre deveria enfrentar sozinho o sofrimento.
Ao encontrar o missionário, permaneceu ao seu lado, ajudando-o e encorajando-o na fé. Quando perceberam que sua presença colocava em risco também os cristãos da região, decidiram fugir para um lugar mais seguro. Os fiéis esconderam os dois sacerdotes em casas humildes, florestas e pântanos. Durante algum tempo conseguiram escapar. Mas acabaram sendo traídos. Pedro foi preso. Tinha aproximadamente 72 anos. As autoridades apresentaram-lhe uma proposta que parecia simples. Bastava negar publicamente a fé. Bastava pisar sobre uma cruz. Em troca, recuperaria imediatamente a liberdade. Pedro recusou!
As atas do processo mostram que permaneceu firme durante os interrogatórios. Não discutia.
Não insultava os juízes. Não respondia com violência. Sua resposta era a serenidade de quem sabia em Quem havia colocado a própria confiança. Vieram então os espancamentos, as correntes, a fome, a prisão. Seu corpo envelhecido enfraquecia a cada dia, mas sua fé permanecia inabalável.
Os companheiros de prisão testemunhavam que rezava continuamente e procurava consolar os outros cristãos presos. Mesmo sofrendo, continuava exercendo seu ministério, sem púlpito, sem igreja, sem liberdade. Transformou a prisão em lugar de esperança. As torturas consumiram lentamente suas forças.
Antes mesmo que chegasse a ordem oficial para sua execução por decapitação, morreu na prisão, em 15 de julho de 1838. Seu martírio não aconteceu num único instante. Foi uma entrega silenciosa e contínua, vivida dia após dia.
Os cristãos conseguiram recuperar seu corpo pagando uma elevada quantia às autoridades e deram-lhe digna sepultura. A memória daquele velho sacerdote permaneceu viva entre o povo. Todos recordavam sua bondade, sua simplicidade, sua coragem e sua fidelidade até o fim. Mais de um século depois, a Igreja reconheceu oficialmente aquilo que os cristãos vietnamitas jamais haviam esquecido. Pedro Nguyễn Bá Tuân entregara verdadeiramente a vida por Cristo. Foi beatificado pelo Papa Leão XIII, em 1900.
Em 19 de junho de 1988, São João Paulo II o canonizou juntamente com os outros 117 Mártires do Vietnã, homens e mulheres de diferentes idades e condições sociais que preferiram perder tudo a perder a amizade com Jesus.
A vida de São Pedro Nguyễn Bá Tuân traz uma mensagem muito bonita para os jovens. Vivemos numa sociedade que frequentemente valoriza quem produz mais, quem aparece mais e quem tem mais sucesso. Pedro ensina que uma vida fecunda não é medida pelo reconhecimento que recebemos, mas pela fidelidade com que servimos. Ele não escreveu grandes livros. Não fundou uma congregação religiosa. Não governou uma diocese famosa. Foi simplesmente um padre que permaneceu fiel à missão recebida de Deus. Quando muitos pensam apenas em descansar, ele continuou evangelizando. Quando poderia proteger a própria vida, preferiu proteger um irmão sacerdote. Quando lhe ofereceram a liberdade em troca da renúncia da fé, escolheu permanecer livre por dentro, mesmo atrás das grades. Sua maior pregação não foi feita diante de uma multidão. Foi vivida no silêncio de uma prisão. Ali mostrou que um sacerdote pertence inteiramente a Cristo e que nenhum sofrimento é maior do que o amor de Deus.
São Pedro Nguyễn Bá Tuân continua lembrando à Igreja que a verdadeira grandeza não está em realizar feitos extraordinários, mas em permanecer fiel até o fim.
Virtudes heroicas
Fidelidade sacerdotal: permaneceu junto do povo mesmo durante as perseguições.
Caridade fraterna: arriscou a própria vida para socorrer um sacerdote doente.
Fortaleza: suportou prisão, fome e maus-tratos sem renegar Cristo.
Esperança: transformou a prisão num lugar de oração e consolação.
Perseverança: serviu à Igreja até os últimos dias da vida, mesmo já idoso.
Referências históricas
Acta Sanctorum Martyrum Annamiticorum (Atas dos Mártires do Vietnã).
Positio super Martyrio dos Mártires do Vietnã, Congregação para as Causas dos Santos.
Martirológio Romano, 15 de julho.
São João Paulo II, Homilia da Canonização dos 117 Mártires do Vietnã, 19 de junho de 1988.
Adrien Launay, Histoire de la Mission du Tonkin.
Bibliotheca Sanctorum, verbete Petrus Nguyễn Bá Tuân.
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