top of page
  • Instagram Missão Belém
  • Facebook Missão Belém
  • YouTube Missão Belém
  • doar para missao belém

19 ago 2026

☀️ Santo do dia: São João Eudes

o padre que entrava onde todos queriam sair


França, 1627. Uma epidemia de peste atingia a região da Normandia. Quando aparecia um doente, o instinto natural era ficar longe. Um jovem sacerdote chamado João Eudes, porém, fez exatamente o contrário: foi ao encontro dos contaminados para assisti-los e levar-lhes os sacramentos. Tinha apenas 25 anos. Quatro anos depois, em 1631, quando outra epidemia atingiu Caen, no noroeste da França, voltou a servir os doentes. Para diminuir o risco de levar a doença aos seus companheiros, manteve-se afastado da comunidade durante aquele período. Esse jovem padre passaria o resto da vida repetindo, de maneiras diferentes, a mesma escolha: ir justamente onde havia pessoas precisando de alguém. A própria Congregação dos Eudistas registra seu serviço aos atingidos pela peste em 1627 e novamente em 1631.

João Eudes havia nascido em 1601, numa pequena localidade da Normandia. Entrou para o Oratório de Jesus, em Paris, e foi ordenado sacerdote em 1625. Depois das epidemias, descobriu outra grande missão: percorrer cidades e aldeias pregando. A partir de 1632, começou uma longa atividade de missões populares. Ele chegava a uma região e permanecia ali durante semanas: pregava, ensinava o catecismo, confessava e tentava aproximar novamente as pessoas da vida cristã.

Mas quanto mais trabalhava, mais percebia um problema: se os padres não fossem bem formados, quem cuidaria espiritualmente daquele povo depois que o missionário fosse embora? A formação do clero tornou-se então uma de suas grandes preocupações. Em 1643, reuniu alguns sacerdotes e fundou a Congregação de Jesus e Maria, cujos membros ficariam conhecidos como Eudistas. A nova comunidade recebeu duas grandes missões: anunciar o Evangelho ao povo e trabalhar na formação dos sacerdotes.

João também percebeu outra realidade terrível. Havia mulheres que desejavam abandonar situações de prostituição e exploração, mas praticamente não tinham para onde ir. Em 1641, ajudou a criar em Caen uma casa destinada a acolhê-las, obra da qual se desenvolveria posteriormente a Ordem de Nossa Senhora da Caridade. Mais uma vez aparece o mesmo João Eudes: não bastava dizer a uma pessoa “mude de vida”. Era preciso ajudá-la concretamente a começar outra vida.

E agora podemos entender por que João Eudes falava tanto do coração. Para ele, o cristianismo não poderia ficar apenas na cabeça. Jesus precisava chegar ao centro da pessoa e transformar seus desejos, decisões e maneira de amar. A Eucaristia fazia parte exatamente desse movimento: receber o Corpo de Cristo para começar a viver a vida de Cristo.

João Eudes morreu em Caen, na França, em 19 de agosto de 1680, aos 78 anos. Deixava comunidades religiosas, seminários, livros e décadas de missões populares. Foi canonizado pelo Papa Pio XI em 1925.

Mas talvez possamos resumir sua vida de maneira muito mais simples. Quando havia peste, João Eudes foi até os doentes. Quando encontrou sacerdotes que precisavam de formação, criou seminários. Quando encontrou mulheres que precisavam recomeçar, ajudou a criar uma casa para elas. E quando perguntava de onde um cristão poderia tirar força para viver assim, voltava sempre a Jesus. Porque, para João Eudes, receber a Eucaristia significava algo enorme: unir nossa vida à vida de Cristo.

E depois da Comunhão começava a parte mais difícil: sair da igreja e viver como alguém que realmente recebeu Jesus.


São João Eudes — Cristo deve viver em nós


Devemos continuar e completar em nós os estados e os mistérios de Jesus e pedir-lhe frequentemente que os realize e complete em nós e em toda a sua Igreja.

Pois os mistérios de Jesus ainda não chegaram à sua inteira perfeição e plenitude. Eles são perfeitos e completos na pessoa de Jesus, mas ainda não estão completos em nós, que somos seus membros, nem na Igreja, que é seu Corpo Místico.


O Filho de Deus deseja comunicar-nos e, de certo modo, prolongar e continuar em nós os seus mistérios. Quer fazê-lo pelas graças que deseja conceder-nos e pelos efeitos que quer produzir em nós por meio desses mistérios. É dessa maneira que Ele deseja completá-los em nós.


Por isso, São Paulo diz que Cristo se completa na Igreja e que todos nós contribuímos para sua plenitude e para a idade de sua maturidade. Isto é, para aquela idade mística que Ele possui em seu Corpo Místico e que somente chegará à sua plenitude no dia do Juízo.

O mesmo Apóstolo diz ainda que completa em seu próprio corpo aquilo que falta aos sofrimentos de Cristo.


Assim, o Filho de Deus determinou realizar e completar em nós todos os seus estados e mistérios.

Ele quer realizar em nós o mistério de sua Encarnação, de seu nascimento e de sua vida escondida, formando-se em nós e nascendo em nossas almas pelos santos sacramentos do Batismo e da divina Eucaristia, e fazendo-nos viver uma vida espiritual e interior, escondida com Ele em Deus.

Quer realizar em nós o mistério de sua Paixão, de sua morte e de sua Ressurreição, fazendo-nos sofrer, morrer e ressuscitar com Ele e n'Ele.


Quer realizar em nós o estado de sua vida gloriosa e imortal no céu, fazendo-nos viver com Ele e n'Ele uma vida gloriosa e imortal, quando estivermos no céu. E assim quer realizar e completar em nós e em sua Igreja todos os seus outros estados e mistérios, comunicando-os a nós, fazendo-nos participar deles e continuando-os e prolongando-os em nós.


Segundo São Paulo, a Igreja é o Corpo de Jesus Cristo, e Jesus Cristo é a sua Cabeça.

Nós somos os membros desse Corpo.

Por isso, tudo aquilo que pertence à Cabeça pertence também aos membros: seu espírito, seu coração, seu corpo, sua alma e todas as suas faculdades.

E tudo aquilo que pertence aos membros pertence também à Cabeça.

Daí vem que Jesus é verdadeiramente tudo para nós: sua vida deve ser nossa vida, seu espírito deve ser nosso espírito, seu coração deve ser nosso coração.

E nós devemos ser animados e viver do espírito de Jesus, como os membros vivem do espírito de sua cabeça.

Esta união que temos com Jesus Cristo é tão íntima, tão elevada e tão divina que nenhuma palavra pode expressá-la perfeitamente.

Ela começa pelo santo Batismo, pelo qual somos incorporados a Cristo e começamos a viver de sua vida.

É fortalecida pela Confirmação e pelas demais graças que Deus nos comunica através dos outros sacramentos.

Mas essa união recebe sua perfeição suprema na Santíssima Eucaristia.

Porque nela Jesus Cristo não somente nos comunica suas graças:

Ele se entrega a nós.

Dá-nos seu próprio Corpo.

Dá-nos seu Sangue.

Dá-nos sua alma.

Dá-nos sua divindade.

Dá-nos sua própria pessoa.

E une-se a nós da maneira mais íntima e admirável.

Por isso, toda a vida cristã consiste, de certo modo, nisto:

fazer Jesus viver em nós.

Que seu Espírito seja nosso espírito.

Que seus sentimentos sejam nossos sentimentos.

Que seu amor se torne nosso amor.

Que seu Coração se torne nosso coração.

E que, recebendo-O na Santíssima Eucaristia, possamos dizer cada vez mais verdadeiramente com São Paulo:

“Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim.”


Fontes


  • São João Eudes, La Vie et le Royaume de Jésus dans les âmes chrétiennes, especialmente II parte, cap. 2; Œuvres Complètes, vol. I, pp. 161-166. Edição crítica publicada em Paris, Beauchesne.

  • Congregação de Jesus e Maria – Eudistas, cronologia oficial de São João Eudes: peste de 1627 e 1631, missões, fundações e desenvolvimento do culto aos Corações de Jesus e Maria.

  • Congregação de Jesus e Maria – Eudistas, apresentação oficial da fundação e finalidade da Congregação, fundada em 1643 para evangelização e formação sacerdotal.

bottom of page