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13 set 2026

☀️ Santo do dia: SÃO JOÃO CRISOSTOMO

A Boca de Ouro que os poderosos não conseguiram calar


Um jovem preparado para uma grande carreira


João nasceu por volta de 349, em Antioquia da Síria, uma das maiores cidades do Império Romano. Seu pai morreu quando ele ainda era pequeno, e sua mãe, Antusa, ainda muito jovem, recusou um novo casamento e dedicou-se à educação do filho. João recebeu uma formação excepcional. Estudou filosofia e sobretudo retórica com Libânio, o mais célebre professor pagão de oratória de Antioquia. Dominava precisamente aquilo que podia abrir-lhe as portas de uma brilhante carreira pública: sabia argumentar, construir discursos e conquistar uma multidão pela palavra. Mas sua vida começou a tomar outra direção. Recebeu o Batismo por volta de 368, aproximou-se do bispo Melécio e, em 371, tornou-se leitor da Igreja. Depois estudou a Sagrada Escritura com Diodoro de Tarso, mestre da escola antioquena. O jovem preparado para falar nos tribunais começava a colocar sua inteligência e sua extraordinária capacidade de comunicação a serviço do Evangelho.


A solidão quase lhe custou a vida


João desejava uma entrega ainda mais radical. Primeiro viveu alguns anos numa comunidade ascética próxima de Antioquia; depois retirou-se para as montanhas, onde passou aproximadamente dois anos praticamente sozinho numa gruta. Levou a penitência ao extremo: dormia pouco, jejuava severamente e passava longas horas estudando e memorizando as Escrituras. Seu corpo não suportou. A saúde ficou seriamente comprometida, especialmente o estômago e os rins, e ele precisou abandonar a vida eremítica e voltar para Antioquia. Aquilo que poderia parecer uma derrota acabou devolvendo-o à cidade e preparando a missão pela qual seria conhecido. Foi ordenado diácono em 381 e, em 386, sacerdote pelo bispo Flaviano. Começavam então onze anos de uma das mais extraordinárias atividades de pregação da Igreja antiga.


João começa a falar


Antioquia descobriu rapidamente seu pregador. João falava frequentemente na grande igreja da cidade, explicando a Bíblia versículo por versículo e aplicando-a diretamente à vida cotidiana. Pregava sobre Mateus, João, Paulo, Gênesis e tantos outros livros bíblicos. O povo enchia a igreja para ouvi-lo e muitas vezes aplaudia durante as homilias. João, porém, não gostava quando a admiração terminava no aplauso: queria mudança de vida. Sua eloquência acabaria dando-lhe o nome pelo qual passou à história: Chrysó-stomos, “Boca de Ouro”. Mas sua pregação não era feita para agradar. Denunciava avareza, luxo, injustiça, exploração dos pobres, espetáculos imorais e cristãos que enchiam as igrejas enquanto viviam como se o Evangelho não existisse. Em 387, durante uma grave crise política em Antioquia, suas famosas Homilias sobre as Estátuas ajudaram a sustentar uma população aterrorizada pela possibilidade de uma represália imperial.


Cristo estava passando fome diante da igreja


Poucas coisas indignavam tanto João quanto ver cristãos gastando fortunas com luxo religioso enquanto pobres morriam diante deles. Numa de suas homilias, fez uma comparação que atravessou os séculos. Falando da Eucaristia, perguntou: “Queres honrar o Corpo de Cristo?” Então respondeu que não se devia honrá-lo dentro da igreja com tecidos de seda enquanto se permitia que o mesmo Cristo permanecesse nu e tremendo de frio na pessoa do pobre. E foi ainda mais longe: de que adiantava encher o altar de cálices de ouro enquanto Cristo permanecia com fome? “Primeiro sacia-o quando está faminto”, ensinava; depois se poderia ornamentar o altar. João não desprezava a beleza do culto: dizia explicitamente que não estava proibindo as ofertas para a igreja. Exigia, porém, que ninguém separasse o Cristo da Eucaristia do Cristo presente no necessitado.


De Antioquia para o palácio imperial


Em 397, morreu o bispo de Constantinopla e João foi escolhido para sucedê-lo. A capital do Império queria o grande pregador de Antioquia. A escolha era politicamente delicada e temia-se que o povo de Antioquia impedisse sua partida; por isso João foi retirado da cidade discretamente e levado para Constantinopla, onde foi consagrado bispo em 398. Encontrou uma Igreja situada no centro do poder imperial, cercada de riqueza e influência. E começou a reformá-la. Reduziu despesas da residência episcopal, destinou recursos aos pobres e hospitais, combateu abusos do clero e exigiu dos sacerdotes uma vida coerente. Ele próprio evitava os grandes banquetes da elite e preferia refeições extremamente simples. O problema era inevitável: João pregava na capital exatamente como havia pregado em Antioquia. E agora as pessoas atingidas por suas palavras estavam muito perto do trono.


Chegou o dia que a “Boca de Ouro” incomodou o palácio: primeiro exílio


João denunciava publicamente a ostentação dos ricos e a indiferença diante dos pobres. Também entrou em conflitos eclesiásticos, especialmente com Teófilo de Alexandria, poderoso bispo que se tornou seu adversário. Na corte, sua relação com a imperatriz Eudóxia deteriorou-se. Sermões de João contra o luxo e a vaidade feminina foram interpretados como ataques contra ela, mesmo quando a identificação direta nem sempre pode ser demonstrada. Seus inimigos conseguiram convocar em 403 o chamado Sínodo do Carvalho, que o depôs mediante uma série de acusações. O imperador ordenou seu exílio. Quando a notícia chegou aos fiéis, Constantinopla entrou em agitação. O povo não queria perder seu bispo e se reuniu em torno da igreja. João, que não queria provocar uma revolta nem derramamento de sangue, acabou entregando-se às autoridades. O primeiro exílio, porém, durou muito pouco: diante da reação popular e dos acontecimentos que assustaram a corte, ele foi chamado de volta.


O segundo exílio


A paz não durou. Uma grande estátua de prata de Eudóxia foi erguida perto da catedral, acompanhada de festas públicas que João considerou incompatíveis com a santidade do lugar. O conflito explodiu novamente. Na Páscoa de 404, soldados intervieram violentamente enquanto catecúmenos se preparavam para o Batismo. Pouco depois chegou uma nova ordem imperial. Desta vez João deixou Constantinopla definitivamente. Em 20 de junho de 404, começou seu segundo exílio. Foi conduzido até Cucuso, numa região montanhosa da Armênia. A distância, porém, não conseguiu silenciá-lo. João escreveu uma enorme quantidade de cartas, especialmente à diaconisa Olímpia, a sacerdotes, bispos e amigos. Continuava orientando comunidades, organizando ajuda aos pobres e preocupando-se com as missões. Bento XVI observa que essas cartas revelam de maneira comovente sua preocupação pastoral mesmo enquanto ele próprio sofria perseguição.


Nem o exílio conseguiu calá-lo


Cucuso era isolada, fria e perigosa, e João já possuía uma saúde extremamente frágil. Mesmo assim, pessoas continuavam viajando para encontrá-lo e suas cartas circulavam pelo Império. Isso incomodava seus adversários. Em 407, veio uma ordem ainda mais dura: deveria ser transferido para Pítio, na margem oriental do Mar Negro, um lugar muito mais distante. Bento XVI considera essa decisão praticamente uma sentença de morte: pretendia impedir as visitas dos fiéis e quebrar definitivamente a resistência daquele exilado já exausto. João foi obrigado a caminhar sob escolta. O calor, a chuva e as longas jornadas agravaram rapidamente seu estado. Estava doente, debilitado e mal conseguia continuar, mas os guardas receberam ordens para avançar. A viagem que deveria levá-lo ao novo exílio começou, pouco a pouco, a matá-lo.


“Glória a Deus por tudo”


Em setembro de 407, o grupo chegou às proximidades de Comana, no Ponto. João pediu que lhe permitissem descansar por causa de sua saúde, mas inicialmente foi obrigado a continuar. Pouco depois seu corpo não suportou e tiveram de retornar. Foi levado para uma pequena igreja dedicada ao mártir São Basilisco. Segundo a antiga biografia de Paládio, João percebeu que estava morrendo. Recebeu roupas brancas, comungou e fez sua última oração. Então pronunciou as palavras que resumiram toda a sua vida: “Glória a Deus por tudo. Amém.” Morreu em 14 de setembro de 407, durante aquele exílio que Bento XVI chamou de verdadeira sentença de morte. Tinha aproximadamente 58 anos. Foi sepultado ali, junto ao mártir Basilisco.


Aquele que o Império expulsou voltou como santo


Trinta anos depois, aconteceu uma cena extraordinária. Em 438, o imperador Teodósio II, filho de Arcádio e Eudóxia, ordenou que os restos de João fossem trazidos solenemente de volta para Constantinopla. Aquele bispo que havia saído da cidade como condenado retornava agora venerado pelo povo. Sua memória atravessou o tempo sobretudo por aquilo que seus adversários nunca conseguiram exilar: sua palavra. Conservamos centenas de suas homilias, comentários bíblicos, tratados e cartas. É um dos Padres da Igreja dos quais possuímos maior quantidade de escritos. Mais tarde seria reconhecido como Doutor da Igreja e um dos quatro grandes Padres do Oriente.

Talvez por isso seu último “Glória a Deus por tudo” tenha tanta força. João não o pronunciou depois de uma vida tranquila. Disse-o depois de ter perdido a saúde na ascese, enfrentado poderosos, sido deposto como bispo, arrancado duas vezes de sua Igreja, atravessado anos de exílio e finalmente ser obrigado a marchar quando seu corpo já não conseguia caminhar. Seus adversários haviam conseguido tirar-lhe Antioquia, Constantinopla, a catedral, o púlpito e finalmente a própria vida. Uma coisa, porém, não conseguiram tirar: a convicção de que Deus permanecia digno de ser amado também quando tudo parecia dar errado.


“Glória a Deus por tudo. Amém.”


Fontes: São João Crisóstomo, Homilias sobre Mateus, especialmente Homilia 50; cartas a Olímpia; Paládio, Diálogo sobre a vida de São João Crisóstomo; Sócrates Escolástico, História Eclesiástica; Bento XVI, Audiências Gerais de 19 e 26 de setembro de 2007; documentação patrística e biográfica da Santa Sé.


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