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12 set 2026

☀️ Santo do dia: São Francisco Ch’oe Kyong-hwan

O pai que preparou a família para a perseguição


Francisco Ch’oe Kyong-hwan não era sacerdote nem religioso. Era camponês, esposo, pai de família e catequista. Nasceu em 1805, na província coreana de Chungcheong, numa antiga família cristã. Na Coreia daquele tempo, ser católico podia significar perder os bens, a liberdade e a própria vida. Durante décadas, muitas comunidades haviam vivido praticamente sem sacerdotes, sustentando a fé dentro das famílias por meio da oração, dos livros cristãos e da catequese feita pelos próprios leigos. Foi nesse mundo que Francisco cresceu. Ainda muito jovem casou-se com Maria Yi Seong-rye, também profundamente cristã. Tiveram vários filhos e fizeram da própria casa um lugar onde a fé era ensinada e vivida.


As perseguições obrigaram a família a mudar várias vezes. Finalmente Francisco encontrou uma região mais isolada, nas proximidades do monte Suri, ao sul de Seul. Ali começou a reunir outras famílias católicas. Aos poucos surgiu uma pequena aldeia cristã, com cerca de vinte famílias. Durante o dia trabalhavam para sobreviver; à noite, Francisco reunia crianças e adultos e lhes ensinava o catecismo. Sua mulher participava intensamente da formação dos filhos, contando-lhes histórias bíblicas e ensinando-os a suportar as dificuldades sem abandonar a fé. Em 1839, Francisco foi oficialmente escolhido como catequista daquela comunidade.


A família ofereceria à Igreja coreana algo ainda maior. Em 1836, o missionário francês padre Pierre Maubant, das Missões Estrangeiras de Paris, procurava jovens coreanos que pudessem ser enviados para fora do país e preparados para o sacerdócio. Um dos escolhidos foi Tomás Ch’oe Yang-eop, o filho mais velho de Francisco e Maria. Os pais aceitaram deixá-lo partir para Macau, embora soubessem que talvez nunca mais o vissem. Tomás se tornaria posteriormente o segundo sacerdote coreano da história.


“Um soldado precisa das instruções para a batalha”


Em 1839 começou uma das grandes perseguições contra os católicos coreanos, conhecida como perseguição Gihae. Cristãos eram presos em Seul e submetidos à fome e às torturas para fazê-los revelar outros fiéis ou renunciar à religião. Francisco não se escondeu simplesmente nas montanhas. Recolhia dinheiro e ia ajudar os cristãos presos, além de socorrer pobres que nem sequer eram católicos. Quando alguém era martirizado, ajudava também a recolher e sepultar o corpo.

Ele sabia perfeitamente o que poderia acontecer.


Quando voltou para casa, reuniu a família e começou a prepará-la para o martírio. Mandou esconder os objetos religiosos para evitar que fossem profanados pelos soldados. Mas fez uma exceção: os livros de catequese deveriam permanecer à mão. E explicou:


“Um soldado que vai para a guerra precisa das instruções para a batalha. Num tempo como este, devemos estudar todos os livros ainda mais seriamente.”


Não era uma metáfora. Francisco sabia que talvez em pouco tempo seus filhos fossem interrogados e precisassem decidir se continuariam cristãos.

Na noite de 31 de julho de 1839, aconteceu aquilo para o qual estavam se preparando. Policiais enviados de Seul cercaram a aldeia do monte Suri. Gritando e insultando, chegaram à casa de Francisco e arrombaram a entrada. Os cristãos poderiam tentar fugir pelas montanhas. Francisco, porém, encorajou-os a não abandonar a fé. Ele, Maria, os filhos e numerosos membros da comunidade foram presos.


E Francisco fez algo surpreendente: recebeu os próprios homens que vinham prendê-lo sem violência e oferecendo-lhes alimento e abrigo. Depois deixou-se conduzir com os outros.


O catequista continuou ensinando dentro da prisão


Na prisão começaram os interrogatórios. A questão fundamental era simples: Francisco deveria renegar a fé cristã. Ele recusou.

Vieram então as torturas.


Francisco foi espancado repetidamente. Os interrogadores tentavam obrigá-lo a apostatar, mas ele continuava professando a fé. Seu corpo foi ficando coberto de feridas. A prisão, porém, produziu um efeito que seus perseguidores provavelmente não esperavam: o catequista do monte Suri continuou sendo catequista dentro da cadeia.

Rezava com os outros presos, falava-lhes de Deus e os preparava para aquilo que poderia acontecer. O Martirológio Romano conservou justamente esse traço como característica de sua santidade: Francisco, recusando-se a renegar a fé diante do magistrado, suportou o cárcere “onde se dedicou à oração e à catequese até consumar a vida no martírio”.


Enquanto isso, sua mulher travava outra batalha. Maria estava presa com um bebê. As condições do cárcere eram terríveis, e seu leite começou a faltar. O pequeno passava fome. Maria havia suportado as próprias torturas, mas não conseguia assistir à morte do filho. Acabou pronunciando a apostasia para conseguir sair da prisão e salvar a criança. Mais tarde se arrependeria profundamente, recuperaria a coragem e também entregaria a vida por Cristo. Hoje é venerada como Beata Maria Yi Seong-rye.

Francisco permaneceu preso.


Em 11 de setembro de 1839, foi novamente interrogado. O objetivo continuava sendo o mesmo: fazê-lo renunciar ao cristianismo.

Ele não renunciou.


A ordem foi dada para que fosse novamente castigado. Francisco recebeu uma terrível sessão de cinquenta golpes de vara. Não foi uma execução formal por decapitação. Os golpes destruíram o corpo já debilitado pelas torturas e pela prisão. Foi levado de volta à cela, ainda vivo.


No dia seguinte, 12 de setembro de 1839, morreu em consequência dos ferimentos.

Tinha aproximadamente 34 anos.


Uma família que continuou a história


A perseguição conseguiu matar Francisco, mas não conseguiu destruir aquilo que ele havia construído. Maria, depois de sua queda momentânea causada pelo desespero diante do filho que morria de fome, retomou publicamente a fé e também foi presa. Em 1840, seria decapitada por permanecer cristã. Foi beatificada pelo papa Francisco em 2014.


E aquele menino que Francisco e Maria tinham entregado à Igreja anos antes, Tomás Ch’oe Yang-eop, continuou seus estudos fora da Coreia. Tornou-se sacerdote e voltou clandestinamente ao país. Durante anos percorreu enormes distâncias procurando comunidades católicas escondidas, celebrando os sacramentos e formando cristãos. Tornou-se conhecido posteriormente como “o mártir do suor”, porque não morreu executado: consumiu a vida caminhando incessantemente para servir aos cristãos perseguidos.


Francisco Ch’oe Kyong-hwan foi beatificado em 1925 e canonizado por São João Paulo II, em Seul, em 6 de maio de 1984, juntamente com outros 102 mártires da Coreia. Sua memória própria é celebrada em 12 de setembro; o conjunto dos 103 mártires coreanos é celebrado em 20 de setembro.


Sua história tem algo particularmente forte porque Francisco não preparou os filhos para uma perseguição com armas. Preparou-os ensinando-lhes o catecismo. Quando percebeu que os soldados estavam chegando, escondeu os objetos sagrados, mas deixou os livros à disposição.


“Um soldado que vai para a guerra precisa das instruções para a batalha.”

Pouco depois levaram o catequista para a prisão. Tiraram-lhe a casa, a família e finalmente a vida.


Mas Francisco levou consigo aquilo que ninguém conseguira confiscar: a fé que havia estudado, ensinado aos filhos e transmitido à sua comunidade.

E foi exatamente isso que continuou fazendo na cadeia, até o último dia.


Fontes: documentação biográfica dos 103 Mártires Coreanos preparada pela Igreja para a canonização; Martirológio Romano, 12 de setembro; arquivos e documentação sobre os mártires coreanos; Rádio Vaticano, perfil de São Francisco Ch’oe Kyong-hwan; documentação histórica sobre a Beata Maria Yi Seong-rye e o Pe. Tomás Ch’oe Yang-eop.


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