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21 ott 2026

☀️ Santo do dia: Pedro Yu Tae-ch'ol

o menino de 13 anos, martir voluntário


1. A fé de um menino nasceu da coragem de seu pai


Pedro Yu Tae-ch'ol nasceu em 1826, no bairro de Ipjeong, em Seul, capital da Coreia, então governada pela dinastia Joseon. Seu nome coreano era Yu Dae-cheol (유대철), e recebeu no batismo o nome cristão de Pedro. Seu pai, Agostinho Yu Chin-gil (1791–1839), trabalhava como intérprete do governo, uma profissão que lhe permitia acompanhar delegações diplomáticas à China. Sua mãe, ao contrário do pai, não abraçou a fé católica.

A história de Pedro começa, portanto, com a extraordinária conversão de seu pai. Agostinho era um homem instruído, interessado nas grandes perguntas sobre a existência de Deus, a origem do universo e o destino da alma. Estudava o confucionismo, o taoismo e o budismo, mas não encontrava respostas satisfatórias. Certo dia, descobriu que um velho baú da família havia sido revestido com folhas arrancadas de um livro cristão. Reuniu os pedaços e começou a ler. Eram fragmentos do Cheonju Silui (O Verdadeiro Significado do Senhor do Céu), obra do jesuíta Matteo Ricci. Aquelas páginas despertaram nele um interesse tão grande que começou a procurar outros livros católicos e pessoas que pudessem explicar-lhe a nova religião.

Em 1824, durante uma viagem oficial a Pequim, Agostinho conseguiu encontrar-se com o bispo católico e recebeu o batismo. Voltou à Coreia decidido a ajudar a pequena comunidade cristã, que havia passado muitos anos praticamente sem sacerdotes. Junto com Paulo Chong Ha-sang e outros leigos, trabalhou para conseguir a entrada de missionários no país. Participou também dos esforços que resultaram no envio de uma carta à Santa Sé, em 1826, pedindo sacerdotes para a Coreia. Foi nesse mesmo ano que nasceu seu filho Pedro.

Assim, enquanto Agostinho trabalhava para trazer sacerdotes ao país, o pequeno Pedro crescia numa casa em que a fé cristã era ao mesmo tempo um grande tesouro e uma fonte de conflitos familiares.

Referência: Conferência Episcopal Católica da Coreia, The Lives of the 103 Martyr Saints of Korea, biografia de Agostinho Yu Chin-gil; documentação reunida no material missionário publicado pela Santa Sé.


2. O menino que não queria abandonar Jesus


Pedro aprendeu a fé com seu pai e procurava vivê-la desde pequeno. Entretanto, sua mãe e algumas irmãs não eram cristãs e se opunham à sua religião. As biografias coreanas relatam que sua mãe tentou convencê-lo a abandonar o catolicismo e a participar dos ritos tradicionais oferecidos aos antepassados.

Para compreender essa dificuldade, é preciso recordar que, na Coreia daquele tempo, os ritos ancestrais estavam profundamente ligados à organização familiar e à tradição confucionista. A recusa dos católicos em realizar determinados atos rituais era frequentemente interpretada como desobediência aos pais e rejeição dos costumes nacionais.

Pedro encontrou-se diante desse conflito ainda muito jovem. Sua mãe e sua irmã perguntaram por que não obedecia à própria mãe. Segundo a biografia conservada pela Igreja coreana, respondeu com mansidão que não seria correto obedecer à mãe desobedecendo ao Rei do Céu e Pai de todas as criaturas.

A mesma fonte acrescenta um detalhe importante: em todos os outros assuntos, Pedro procurava obedecer fielmente à mãe e não ofender sua família. Sua resistência dizia respeito especificamente à renúncia à fé.

O menino não vivia, portanto, num ambiente familiar inteiramente cristão. Tinha o exemplo de um pai profundamente comprometido com a Igreja, mas também experimentava a oposição dentro da própria casa.

Referência: Conferência Episcopal Católica da Coreia, biografia de São Pedro Yu Tae-ch'ol, reproduzida na documentação hagiográfica da Igreja Católica na Noruega.


3. A perseguição de 1839: seu pai é preso e condenado


Em 1839, começou uma das mais violentas perseguições contra os católicos coreanos, conhecida como perseguição Gihae. As autoridades consideravam o cristianismo uma doutrina perigosa para a ordem política e social. Os fiéis eram procurados, suas casas revistadas e seus livros religiosos confiscados. Muitos foram presos, torturados e executados.

Em julho daquele ano, Agostinho Yu Chin-gil foi preso em sua própria casa. Durante os interrogatórios, os oficiais exigiram que revelasse os nomes dos responsáveis pela comunidade cristã e os lugares onde estavam escondidos os missionários. Ele se recusou.

Agostinho sofreu repetidas torturas. As autoridades o acusavam de ter introduzido no país uma religião estrangeira e de desrespeitar as leis do reino. Em sua defesa, explicou que os missionários haviam vindo para ensinar a fé e administrar os sacramentos, não para procurar riquezas ou vantagens políticas.

Durante os interrogatórios, segundo os registros coreanos, afirmou que Deus era o Senhor supremo do céu e da terra e que, por isso, devia ser conhecido e adorado.

Depois de meses de prisão, Agostinho foi condenado à morte. Em 22 de setembro de 1839, foi decapitado em Seul, juntamente com São Paulo Chong Ha-sang.

Seu filho Pedro tinha apenas 13 anos.

Referência: The Lives of the 103 Martyr Saints of Korea, biografia de Agostinho Yu Chin-gil; João Paulo II, Homilia da canonização dos mártires coreanos, Seul, 6 de maio de 1984.


4. Pedro apresenta-se voluntariamente às autoridades


Quando a perseguição atingiu sua família, Pedro sabia que também poderia ser preso. Os relatos antigos afirmam que, depois da prisão do pai, ele próprio se apresentou às autoridades.

O testemunho recolhido pelos cristãos coreanos poucos anos depois da perseguição, e posteriormente conservado entre os documentos do bispo Jean-Joseph Ferréol, registra que Pedro foi espontaneamente ao tribunal.

Diante dos magistrados, não procurou esconder que era cristão. Por ser filho de uma família católica, foi encarcerado e submetido a interrogatórios destinados a fazê-lo abandonar a religião.

Um detalhe torna esse episódio ainda mais impressionante: Pedro não foi preso porque estivesse pregando publicamente ou organizando atividades religiosas. Era um menino de 13 anos, mas sua fidelidade à fé já era suficiente para colocá-lo diante dos tribunais.

As autoridades esperavam que a juventude e o sofrimento o levassem a ceder. Entretanto, os testemunhos registram que Pedro permaneceu firme, apesar das violências.

Referência: Atos dos mártires coreanos de 1839, recolhidos por Carlos Hyeon Seok-mun e Tomás Yi Jae-ui, conservados na documentação do bispo Ferréol, manuscrito concluído em 1846.


5. O adolescente diante dos torturadores


Os relatos antigos descrevem interrogatórios extremamente violentos. O documento conservado pelo bispo Ferréol afirma que Pedro foi interrogado oito vezes diante do juiz, recebeu mais de seiscentos golpes de vara ao longo das sessões e foi submetido a outros castigos.

Esses números pertencem ao testemunho histórico recolhido pela comunidade cristã poucos anos depois dos acontecimentos; não são uma contagem que possamos verificar independentemente hoje.

Outra biografia coreana conserva um episódio particularmente significativo. Um carcereiro atingiu violentamente a perna de Pedro com um longo cachimbo de tabaco e perguntou se ele ainda acreditava em Deus. O menino respondeu:

“Sim, acredito verdadeiramente. Não tenho medo de ser espancado.”

O carcereiro ameaçou colocar um pedaço de carvão em brasa na boca do adolescente. Pedro abriu a boca, mostrando-se disposto a enfrentar o castigo. Segundo o relato, o próprio carcereiro não conseguiu executar a ameaça.

Em outra ocasião, Pedro foi espancado até perder os sentidos. Quando os companheiros de prisão conseguiram reanimá-lo, procurou tranquilizá-los:

“Não se preocupem. Não morrerei por causa desta dor.”

As palavras são apresentadas aqui em tradução portuguesa dos testemunhos transmitidos nas biografias coreanas. Não possuímos uma transcrição judicial contemporânea dessas conversas.

Referências: Conferência Episcopal Católica da Coreia, The Lives of the 103 Martyr Saints of Korea, biografia de Pedro Yu Tae-ch'ol; Atos dos mártires de 1839, documentação Ferréol, 1846.


6. Na prisão, o menino encorajava os adultos


Talvez o episódio mais surpreendente da vida de Pedro tenha acontecido dentro da prisão.

As autoridades mantinham os cristãos em condições extremamente duras. Um relato contemporâneo descreve pequenas construções de madeira, quase sem luz, com o chão coberto de esteiras de palha. Os prisioneiros ficavam amontoados, sofriam com a fome, o frio, os parasitas e as feridas provocadas pelos castigos.

Entre aqueles presos havia adultos, catequistas e pessoas que conheciam a fé havia muitos anos. Alguns estavam desanimados; outros, aterrorizados pelas torturas, haviam chegado a renunciar ao cristianismo.

Pedro, embora fosse o mais jovem, começou a encorajar os companheiros.

O testemunho recolhido na documentação do bispo Ferréol conserva uma repreensão dirigida pelo adolescente a um catequista que havia cedido diante da perseguição:

“Você é catequista e é um homem. Eu sou apenas uma criança; seria você quem deveria encorajar-me a sofrer corajosamente. Agora os papéis se inverteram: volte a si e morra por Jesus Cristo.”

Essa é uma tradução portuguesa do relato transmitido pelos primeiros cristãos coreanos e conservado nos Atos dos mártires de 1839. Trata-se de uma das declarações mais expressivas atribuídas a Pedro.

O próprio Martirológio Romano conservou a lembrança desse comportamento. Ao recordar São Pedro Yu Tae-ch'ol, destaca que ele, aos treze anos, exortava os companheiros de prisão a suportarem os suplícios.

O adolescente, que poderia ter procurado apenas consolo para si mesmo, aparece nas fontes como alguém que também se preocupava com a perseverança dos outros cristãos.

Referências: Atos dos mártires de 1839, documentação Ferréol, 1846, relato sobre Pedro Yu; Martirológio Romano, 21 de outubro.


7. A morte de Pedro: estrangulado aos 13 anos


Depois de tantos interrogatórios e castigos, Pedro continuava vivo. As autoridades decidiram então matá-lo dentro da prisão.

Segundo os testemunhos conservados, foi estrangulado em Seul, em outubro de 1839, com apenas 13 anos de idade.

Existe uma diferença entre algumas fontes quanto ao dia exato de sua morte. O antigo relato conservado pelo bispo Ferréol e a documentação histórica coreana indicam 31 de outubro de 1839, enquanto o Martirológio Romano o comemora em 21 de outubro. A data litúrgica, portanto, não deve ser automaticamente confundida com a data histórica do martírio.

Pedro morreu pouco mais de um mês depois da execução de seu pai, Agostinho. Ambos foram reconhecidos pela Igreja entre os mártires coreanos.

A memória desse adolescente permaneceu viva nas comunidades cristãs que sobreviveram à perseguição. Seu nome foi incluído nos processos de reconhecimento dos mártires e, em 5 de julho de 1925, foi beatificado por Pio XI.

Em 6 de maio de 1984, São João Paulo II canonizou em Seul 103 mártires coreanos, entre eles Agostinho Yu Chin-gil e seu filho Pedro.

Na homilia daquela celebração, o Papa recordou expressamente a idade do adolescente:

“Desde Pedro Yu, de 13 anos, a Chong, de 72 anos, homens e mulheres, sacerdotes e leigos, ricos e pobres [...] todos eles morreram com alegria pela causa de Cristo.”

Na mesma homilia, João Paulo II citou uma declaração atribuída ao pai de Pedro, Santo Agostinho Yu Chin-gil:

“Agora que conheci a Deus, não me é possível traí-lo.”

Aquelas palavras resumem a convicção que havia unido pai e filho durante a perseguição de 1839.

Referências: João Paulo II, Homilia na canonização dos 103 mártires coreanos, Seul, 6 de maio de 1984; Dicastério das Causas dos Santos, canonização de André Kim Tae-gon, Paulo Chong Ha-sang e 101 companheiros; Martirológio Romano, 21 de outubro.



FONTES HISTÓRICAS E DOCUMENTAIS


1. Atos dos mártires coreanos durante a perseguição de 1839. Testemunhos recolhidos por Carlos Hyeon Seok-mun e Tomás Yi Jae-ui, conservados nos arquivos das Missões Estrangeiras de Paris, volume 577, com documentação do bispo Jean-Joseph Ferréol, manuscrito concluído em 1846. O relato específico de Pedro Yu encontra-se na página 35 da edição digital, seção Peter Yu. Disponível em: https://anthony.sogang.ac.kr/Dallet/1839/1839Ferr%C3%A9ol.pdf

2. Conferência Episcopal Católica da Coreia. The Lives of the 103 Martyr Saints of Korea. Biografias de São Pedro Yu Tae-ch'ol e de Santo Agostinho Yu Chin-gil. Material biográfico da Igreja coreana, também reproduzido em publicações missionárias da Santa Sé.

3. São João Paulo II. Homilia durante a canonização dos mártires coreanos, Seul, 6 de maio de 1984. Texto oficial em português: https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1984/documents/hf_jp-ii_hom_19840506_martiri-coreani.html

4. Martirológio Romano. Comemoração de São Pedro Yu Tae-ch'ol, 21 de outubro, com referência à idade, à prisão, ao encorajamento dos companheiros e à morte por estrangulamento.

5. Dicastério das Causas dos Santos. Registro da canonização dos 103 mártires coreanos, 6 de maio de 1984: https://www.causesanti.va/it/celebrazioni/canonizzazioni/1984/05/06.html


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