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8 set 2026

☀️ Santo do dia: Os 22 Mártires de Nagasaki

Pais e filhos que permaneceram juntos até o fim


No dia 8 de setembro de 1628, em Nagasaki, não caminhavam para a morte somente sacerdotes e religiosos. Entre os condenados havia pais acompanhados de seus próprios filhos, uma viúva, catequistas e várias crianças. Ao todo eram vinte e dois cristãos. Alguns seriam decapitados; outros, queimados vivos. O Martirológio Romano conserva seus nomes e faz questão de registrar algo impressionante: entre eles havia “muitas crianças”.

Para compreender aquela cena precisamos voltar algumas décadas. São Francisco Xavier havia chegado ao Japão em 1549, e o cristianismo crescera de maneira surpreendente. Por volta de 1600, calcula-se que existissem aproximadamente 300 mil cristãos, inclusive membros da nobreza e alguns daimyō, os senhores feudais japoneses. Mas o poder político começou a enxergar aquela religião estrangeira com crescente desconfiança. Em 1614, o governo Tokugawa decretou a expulsão dos missionários e a repressão tornou-se cada vez mais dura. Igrejas foram destruídas, sacerdotes expulsos ou obrigados a esconder-se e famílias cristãs passaram a viver clandestinamente. Esconder um missionário podia colocar uma casa inteira em perigo.

Foi nesse Japão que chegou o franciscano espanhol Antônio de São Boaventura. Nascido em Tui, na Galícia, em 1588, estudou Filosofia em Salamanca e entrou na Ordem Franciscana aos dezessete anos. Depois seguiu para as Filipinas, onde completou a formação e foi ordenado sacerdote. Em 1618, quando tinha cerca de trinta anos, entrou no Japão sabendo que a perseguição já estava em andamento. Durante aproximadamente dez anos, exerceu clandestinamente o ministério, dedicando especial atenção também aos cristãos que, vencidos pelo medo, haviam abandonado publicamente a fé.

Celebrar a Missa, confessar ou simplesmente encontrar um sacerdote exigia então uma rede de cristãos japoneses dispostos a correr riscos. Eram eles que ofereciam esconderijos, transportavam mensagens, acompanhavam os missionários e ajudavam a localizar comunidades dispersas. Sem esses leigos, grande parte do apostolado clandestino seria impossível.

Entre os missionários estava também o dominicano Domingos Castellet. Nascido em 7 de outubro de 1592, em Esparreguera, perto de Barcelona, tornou-se dominicano, foi ordenado sacerdote e partiu para as Filipinas. Em 22 de agosto de 1621, aos 28 anos, chegou a Nagasaki. A Real Academia da História descreve os anos seguintes como uma vida de contínuas fugas: caminhava a pé, enfrentando frio, calor, chuva e neve, atravessando rios e barrancos para chegar às comunidades cristãs escondidas. Quando outros missionários foram presos, Domingos chegou a permanecer praticamente sozinho fazendo o trabalho de todo o grupo.

Os missionários precisavam aprender a desaparecer. Um dominicano contemporâneo chegou a vestir-se como funcionário japonês e carregar duas catanas, tentando atravessar disfarçado a vigilância de uma prisão para administrar os sacramentos aos cristãos encarcerados. Domingos e seus companheiros procuravam também os condenados à morte e prestavam assistência espiritual aos leprosos que viviam perto dos lugares das execuções. Era uma Igreja obrigada a viver quase inteiramente escondida. Mas a perseguição alcançava sobretudo aqueles que tornavam possível essa Igreja clandestina: as famílias japonesas.

Entre os futuros mártires estava João Tomáchi. E João não estava sozinho. Com ele aparecem no Martirológio quatro filhos: Domingos, Miguel, Tomé e Paulo. Outro era Romão Aybara, acompanhado pelo filho Leão. Outro, Miguel Yamada, acompanhado pelo filho Lourenço. E ainda Luís Higashi, acompanhado por Francisco e Domingos.

Havia também João Imamura, Paulo Sadayu Aybara, Tiago Hayashida, Mateus Álvarez e uma mulher, Lúcia Luísa, viúva. Ao grupo pertenciam ainda religiosos japoneses: Domingos de Nagasaki, franciscano, e os dominicanos Tomé de São Jacinto e Antônio de São Domingos. Todos eles foram martirizados como famílias.

A perseguição atingiu finalmente também os sacerdotes. Antônio de São Boaventura foi denunciado no início de 1628, preso e levado para a prisão de Ōmura, onde permaneceu em condições duríssimas. Domingos Castellet conseguiu permanecer livre um pouco mais. Em 15 de julho de 1628, porém, também foi capturado e encarcerado em Kuwara, na região de Ōmura. Tinha 35 anos. Durante quase dois meses de prisão dedicou-se à oração e à penitência e escreveu cartas que as fontes dominicanas descrevem como de grande valor humano e espiritual. Procurava também fortalecer os outros prisioneiros. Chegou então 8 de setembro de 1628. Era a festa da Natividade da Virgem Maria.

Os condenados foram conduzidos a Nagasaki. Antônio de São Boaventura foi transportado de Ōmura para a cidade naquele mesmo dia. Domingos Castellet também foi levado ao lugar da execução. Ali estavam os missionários. Mas diante deles estavam também aqueles pelos quais tinham permanecido no Japão: os cristãos japoneses. E entre eles estavam as crianças.

Os vinte e dois sofreram o martírio por Cristo, uns “ao fio da espada”, outros “lançados à fogueira”.

Os sacerdotes Antônio de São Boaventura e Domingos Castellet foram queimados vivos. As fontes franciscanas e dominicanas confirmam particularmente a morte de ambos pelo fogo. Domingos tinha 35 anos; Antônio, cerca de quarenta. Ao redor deles morreram seus companheiros.

E aqui está talvez a parte mais impressionante dessa história: o cristianismo japonês não sobreviveu à perseguição apenas porque alguns missionários estrangeiros foram heroicos. Sobreviveu porque famílias japonesas assumiram a fé como algo pelo qual estavam dispostas a arriscar tudo.

Os sacerdotes podiam ser expulsos. As igrejas podiam ser destruídas. Os livros podiam ser confiscados. Os missionários podiam ser queimados. Mas a fé já havia entrado dentro das famílias.

Isso se tornaria decisivo pouco depois. A perseguição aumentou e, nas décadas seguintes, praticamente todos os sacerdotes desapareceram do Japão. O cristianismo entrou numa longa clandestinidade. Surgiram os chamados Kakure Kirishitan, os “cristãos escondidos”, comunidades que conservaram elementos da fé durante gerações sem sacerdotes, transmitindo orações e ensinamentos dentro das próprias famílias.

Os mártires de 8 de setembro de 1628 pertencem justamente a essa Igreja que estava sendo empurrada para dentro das casas. Por isso os nomes dos filhos não são um detalhe secundário.

Domingos. Miguel. Tomé. Paulo. Leão. Lourenço. Francisco. Outro Domingos.

O Martirológio poderia ter conservado apenas o nome dos dois sacerdotes principais. Não fez isso. Conservou também os nomes daqueles pais e de seus filhos.

Mais de dois séculos depois, a Igreja examinou os antigos processos sobre os mártires japoneses. Em 7 de maio de 1867, o papa Pio IX beatificou 205 mártires do Japão, mortos entre 1617 e 1632. Entre eles estavam os vinte e dois de Nagasaki daquele 8 de setembro.

Naquele dia de 1628 morreram franciscanos, dominicanos e leigos. Morreram europeus e japoneses. Morreu uma viúva. Morreram catequistas. Morreram pais ao lado dos filhos.

E talvez seja justamente esta a imagem que merece permanecer. Não sabemos quais foram as últimas palavras que João Tomáchi disse aos seus quatro meninos. Por respeito à história, não precisamos inventá-las.

Sabemos algo maior: quando chegou o momento em que conservar a fé podia custar-lhes tudo, pai e filhos permaneceram juntos.


Fontes e nota histórica


A lista dos vinte e dois mártires, a presença das crianças e as formas de execução estão registradas no Martirológio Romano. Para Domingos Castellet, são particularmente importantes a documentação reunida pelo Diccionario Biográfico Español/Real Academia de la Historia e suas cartas do período missionário; para Antônio de São Boaventura, as fontes históricas franciscanas preservam sua formação, dez anos de apostolado clandestino, prisão em Ōmura e martírio. Os vinte e dois pertencem ao grupo dos 205 Mártires do Japão beatificados por Pio IX em 1867. Alguns detalhes biográficos individuais dos leigos e, sobretudo, das crianças são muito escassos; por isso foram deliberadamente omitidos diálogos, idades e cenas familiares que não podem ser demonstrados pelas fontes.


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