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Bem-aventurado Inácio de Azevedo e os 39 Companheiros Mártires

17 lug 2026

☀️ Santo do dia: Bem-aventurado Inácio de Azevedo e os 39 Companheiros Mártires: os missionários que deram a vida pelo Brasil antes mesmo de chegar ao Brasil

No século XVI, o Brasil era uma imensa terra de missão. Grande parte do território ainda não conhecia o Evangelho, havia poucos sacerdotes para atender os colonos e evangelizar os povos indígenas, e as distâncias eram enormes. A jovem Igreja no Brasil precisava urgentemente de novos missionários.

Foi nesse contexto que aconteceu uma das mais belas páginas da história da evangelização de nosso país.

A história dos *Bem-aventurados Inácio de Azevedo e seus 39 Companheiros, conhecidos popularmente como os Mártires do Brasil.

Curiosamente, nenhum deles morreu em solo brasileiro.

Todos deram a vida antes de chegar ao destino para o qual haviam sido enviados.

Inácio de Azevedo nasceu em*1526, na cidade do Porto, em Portugal, em uma família da nobreza. Ainda jovem ingressou na recém-fundada Companhia de Jesus, criada por Santo Inácio de Loyola. Dotado de grande inteligência, profundo espírito de oração e notável capacidade de governo, tornou-se mestre de noviços e, mais tarde, Provincial dos Jesuítas em Portugal.

Entre 1566 e 1569, foi enviado ao Brasil pelo Superior Geral da Companhia, São Francisco de Borja, para visitar as missões jesuíticas.

Durante quase três anos percorreu a Bahia, Porto Seguro, Ilhéus, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Conviveu com missionários como São José de Anchieta e conheceu de perto as enormes dificuldades da evangelização: aldeias espalhadas, longas viagens, poucos sacerdotes e milhares de pessoas esperando o anúncio do Evangelho.

Ao regressar a Portugal, apresentou a São Francisco de Borja um relatório detalhado sobre a situação da missão brasileira.

Seu pedido era simples e urgente:

"O Brasil precisa de missionários."

São Francisco de Borja compreendeu imediatamente a gravidade da situação e decidiu organizar uma nova expedição missionária.

Foram escolhidos quarenta jesuítas: Inácio de Azevedo e outros trinta e nove companheiros.

O grupo era formado por *dois sacerdotes, vinte e quatro escolásticos, que estudavam para o sacerdócio, e catorze irmãos coadjutores.

A maioria tinha entre 18 e 30 anos.

Sabiam que a travessia do Atlântico era longa, perigosa e que talvez jamais voltassem a rever suas famílias.

Mesmo assim, aceitaram partir.

No dia*5 de junho de 1570, embarcaram em Lisboa rumo ao Brasil.

Durante semanas a viagem transcorreu normalmente.

Mas, na manhã de 15 de julho de 1570, quando navegavam nas proximidades da ilha de La Palma, no arquipélago das Ilhas Canárias, a embarcação foi atacada pelos navios do corsário francês Jacques Sourie.

Sourie não era apenas um pirata.

Era um corsário calvinista que combatia deliberadamente a expansão das missões católicas.

Ao descobrir que aquele navio transportava missionários jesuítas destinados ao Brasil, decidiu impedir que chegassem ao seu destino.

Os religiosos foram reunidos.

Segundo os relatos conservados pelos primeiros jesuítas, Inácio de Azevedo colocou diante de seus companheiros uma imagem de Nossa Senhora, que havia recebido do próprio São Pio V, e convidou todos a renovarem sua fidelidade a Cristo.

Nenhum demonstrou medo.

Nenhum pediu para salvar a própria vida.

Começou então o massacre.

Os missionários foram mortos um após o outro.

Alguns foram atravessados por espadas.

Outros receberam golpes de machado.

Muitos ainda vivos foram lançados ao oceano.

As águas do Atlântico tornaram-se o lugar do seu martírio.

Entre aqueles quarenta missionários encontrava-se João Sanches, um jovem espanhol de apenas 19 anos. Ainda era noviço da Companhia de Jesus e nem sequer havia concluído sua formação religiosa. Quando soube que se preparava uma missão para o Brasil, pediu repetidas vezes para fazer parte da expedição. Os superiores hesitaram por causa de sua pouca idade, mas acabaram cedendo diante de sua maturidade espiritual e de seu extraordinário ardor missionário. João sabia que talvez nunca voltasse a ver sua família e que a travessia era extremamente perigosa. Mesmo assim, embarcou cheio de alegria. Poucas semanas depois, ofereceria a própria vida por Cristo, tornando-se um dos mais jovens mártires da história da Companhia de Jesus.

Segundo os testemunhos dos sobreviventes da tripulação,*Inácio de Azevedo foi um dos últimos a morrer.

Permaneceu abraçado à imagem de Nossa Senhora até o último instante, encorajando seus companheiros a permanecerem fiéis.

Todos os quarenta missionários foram mortos.

A notícia espalhou-se rapidamente por Portugal, Espanha e Roma.

Ao receber a notícia, São Francisco de Borja afirmou que Deus havia concedido à Companhia de Jesus uma das mais belas coroas de martírio de sua história.

Embora nunca tenham chegado ao Brasil, a Igreja passou a chamá-los de Mártires do Brasil, porque derramaram seu sangue precisamente por amor à evangelização desta terra.

No dia 11 de maio de 1854, o Papa Pio IX beatificou *Inácio de Azevedo e seus trinta e nove companheiros*.

Hoje são venerados como os protomártires da missão jesuíta destinada ao Brasil, testemunhas de que o anúncio do Evangelho vale mais do que a própria vida.



Virtudes heroicas

* Ardor missionário: deixaram a pátria, a família e toda segurança para anunciar Cristo em uma terra distante.
* Obediência: acolheram com alegria o envio da Companhia de Jesus e de São Francisco de Borja.
* Fortaleza: permaneceram fiéis à Igreja e recusaram renunciar à fé mesmo diante da morte.
* Caridade pastoral: ofereceram a própria vida por pessoas que sequer conheciam, movidos apenas pelo desejo de anunciar o Evangelho.
* Devoção mariana: fortaleceram-se espiritualmente diante da imagem de Nossa Senhora levada por Inácio de Azevedo, permanecendo unidos até o martírio.
* Esperança: enfrentaram serenamente a morte, certos de que a vida eterna era a recompensa prometida por Cristo aos seus discípulos.

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Referências históricas

* Martirológio Romano, 17 de julho.
* Pio IX*, Decreto de Beatificação dos Bem-aventurados Inácio de Azevedo e 39 Companheiros (11 de maio de 1854).
* Serafim Leite, História da Companhia de Jesus no Brasil, vol. II.
* Monumenta Historica Societatis Iesu, cartas de São Francisco de Borja e documentos contemporâneos sobre a missão de 1570.
* Bibliotheca Sanctorum, verbete Ignazio de Azevedo.
* Vatican News, Bem-aventurado Inácio de Azevedo e Companheiros Mártires.
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