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7 set 2026

☀️ Santo do dia: Beato João Batista Mazzucconi

“Tudo o que me acontecer será sempre uma graça, uma bênção”


João Batista Mazzucconi nasceu em 1º de março de 1826, em Rancio, perto de Lecco, no norte da Itália, numa família profundamente cristã. Ainda adolescente entrou no seminário e começou a alimentar um desejo que naquele tempo significava provavelmente não voltar nunca mais para casa: tornar-se missionário entre povos que ainda não conheciam o Evangelho. Lia os relatos dos missionários publicados nos Anais da Propagação da Fé e, em 1845, aos 19 anos, viveu um encontro decisivo. Durante alguns dias na Cartuxa de Pavia, conheceu o prior, padre Suprier, antigo missionário na Índia. O religioso contou aos jovens seminaristas o que havia vivido, as pessoas que encontrara, o bem que fizera e também o que recebera daqueles povos. João ficou profundamente tocado. Começou a perguntar-se por que a Itália ainda não possuía uma instituição destinada especificamente a preparar sacerdotes para as missões estrangeiras.

Poucos anos depois aconteceu exatamente isso. Em 1850, nasceu em Milão o Seminário Lombardo para as Missões Estrangeiras, origem do atual PIME — Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras. João tinha 24 anos. Foi ordenado sacerdote naquele mesmo ano e decidiu unir-se ao pequeno grupo de pioneiros. Em 10 de abril de 1852, aos 26 anos, partiu com outros seis missionários para a Oceania. Eram cinco sacerdotes e dois missionários leigos, chamados então de catequistas. O primeiro campo missionário confiado ao novo instituto ficava nas ilhas de Woodlark e Rook, na região da atual Papua-Nova Guiné. Era uma missão quase inteiramente nova.

A viagem levou meses. Quando chegaram, encontraram ilhas belíssimas, cobertas por vegetação tropical, mas não encontraram um povo esperando ansiosamente missionários europeus. Os habitantes tinham sua própria língua, cultura, religião e organização social e olhavam aqueles estrangeiros com desconfiança. João compreendeu imediatamente que não adiantava desembarcar e começar a fazer discursos. Escreveu uma frase que revela uma atitude missionária muito concreta: “Por enquanto, a missão deve ser feita permanecendo sempre com a população local e aprendendo sua língua; depois, quando o Senhor quiser, falaremos dele.” Primeiro era necessário estar com eles.

Os missionários começaram, portanto, pela convivência. Procuravam aprender a língua, cuidar dos doentes, ensinar técnicas úteis, ajudar no cultivo e intervir para pacificar conflitos entre grupos. A Arquidiocese de Milão recorda que essa primeira evangelização começou justamente como testemunho gratuito de amor. Mas apareceram também conflitos graves. Os missionários se opunham a determinadas formas de violência, às guerras entre grupos e a práticas que consideravam incompatíveis com o Evangelho. A tensão foi crescendo.

Antes, porém, de qualquer perseguição matá-los, quase os matou o clima. Febres tropicais atingiram repetidamente os missionários. Faltavam medicamentos, alimentação adequada e praticamente tudo aquilo que hoje consideraríamos indispensável para tratar uma doença grave. João adoeceu de maneira assustadora. No começo de 1855, ainda não tinha completado 29 anos e estava quase irreconhecível: o corpo estava extremamente inchado, a pele começava a abrir-se formando feridas, os dentes escureciam e ataques de febre e delírio se sucediam. A situação chegou a tal ponto que o superior começou a fazer-lhe perguntas sobre suas últimas vontades. João escreveu simplesmente: “E eu fiz testamento.” Parecia que morreria ali.

Em 20 de janeiro de 1855, chegou finalmente um navio que estava sendo esperado havia meses. O superior decidiu que João precisava abandonar imediatamente a ilha e ir para Sydney, na Austrália, para tentar recuperar a saúde. O capitão olhou para aquele jovem sacerdote destruído pela doença e hesitou até em levá-lo. O PIME conserva uma expressão impressionante utilizada para descrever seu estado: parecia praticamente um “cadáver ambulante”. Outro missionário leigo, Giuseppe Corti, estava tão doente que nem sequer conseguiu ser embarcado. Morreria pouco depois, em 17 de março de 1855. João embarcou. E quase morreu novamente.

Durante a viagem para Sydney, na Semana Santa de 1855, o navio foi atingido por um violento furacão. As velas e cordas se romperam, parte de um mastro foi destruída e durante quatro dias a embarcação ficou praticamente à deriva. João estava doente, no meio do oceano, num navio danificado, sem saber se chegaria vivo à Austrália. Então chegou o domingo de Páscoa, 8 de abril. A tempestade passou. O mar se acalmou.

Depois de dias sem orientação, o sol reapareceu. João escreveu que parecia “uma coisa nova” e que eles se sentiam “verdadeiramente como ressuscitados”.

Finalmente chegou a Sydney. Ali recebeu alimentação, descanso e tratamento. Aos poucos, aquele homem que parecia estar morrendo começou a recuperar as forças. E agora apareceu uma possibilidade muito concreta: ficar.

A missão de Woodlark estava fracassando. Um companheiro já havia morrido. João quase morrera. A situação nas ilhas estava cada vez mais perigosa. Sua saúde havia sido destruída e somente agora começava a recuperar-se. Mas João queria voltar.

Em 12 de maio de 1855, ainda em Sydney, escreveu manifestando seu desejo de colocar-se novamente “ao serviço do Senhor”. Passaram-se os meses e sua saúde melhorou. Quanto mais recuperava as forças, mais pensava nos companheiros e nas pessoas que havia deixado nas ilhas.

Então decidiu regressar a Woodlark. Na véspera da partida, 16 de agosto de 1855, escreveu à família uma carta extraordinária. Recordou o furacão que quase o matara poucos meses antes e escreveu: “Aquele Deus que então me salvou estará comigo também nesta viagem.” E acrescentou: “Enquanto Ele estiver comigo, tudo o que me pode acontecer será sempre uma graça, uma bênção pela qual deverei agradecer-lhe.”

João sabia que podia morrer. Na mesma carta imaginou Cristo aparentemente dormindo no barco durante uma tempestade, como no Evangelho. Se viesse novamente o perigo, dizia, iria acordá-lo como fizeram os Apóstolos. E, se Deus não quisesse salvá-lo, pediria simplesmente para ir até Ele. Terminou lembrando à família que existe “outra pátria, um reino onde todos devemos nos reunir”, onde não haveria mais separações. 

Dois dias depois, 18 de agosto de 1855, aos 29 anos, embarcou no pequeno navio Gazelle e deixou Sydney. Mas havia algo que João não sabia.

Enquanto se recuperava na Austrália, a situação nas ilhas havia piorado ainda mais. Seus companheiros tinham decidido abandonar temporariamente a missão, inclusive por causa dos conflitos locais e das ameaças. Já estavam viajando para a Austrália. Por uma terrível coincidência, eles e João cruzaram seus caminhos no mar: os missionários voltavam; João regressava sozinho para encontrá-los. Quando os companheiros chegaram à Austrália, ele já havia partido.

A Gazelle continuou em direção a Woodlark.

Na primeira metade de setembro, o navio entrou numa baía da ilha. Quando os habitantes perceberam a embarcação, aproximaram-se. João provavelmente esperava encontrar novamente seus companheiros e sua missão. Então recebeu a notícia: eles tinham partido. Mas já era tarde para simplesmente retornar. O capitão, pouco familiarizado com aquelas águas, havia feito a Gazelle encalhar na barreira de coral. O navio estava vulnerável. Canoas começaram a aproximar-se. Alguns homens subiram a bordo aparentemente de maneira amistosa.

Entre eles estava um homem identificado nas fontes do PIME como Aviocar. Aproximou-se do missionário e estendeu a mão como se fosse cumprimentá-lo. João não fugiu. O homem aproximou-se. Então, repentinamente, retirou uma machadinha que mantinha escondida e desferiu um violento golpe contra a cabeça do sacerdote. João Batista Mazzucconi caiu.

Começou o massacre.

Os outros homens atacaram também os membros da tripulação da Gazelle. Os marinheiros foram mortos e os corpos lançados ao mar. O corpo do jovem missionário também desapareceu nas águas. Ele tinha apenas 29 anos. Durante meses, porém, ninguém soube exatamente o que havia acontecido.

Somente posteriormente chegaram notícias suficientes para reconstruir o massacre. A Igreja estudou também as razões de sua morte e reconheceu que João Batista Mazzucconi havia sido morto “em ódio à fé”. A documentação oficial do Dicastério das Causas dos Santos o apresenta como sacerdote missionário que, depois de dois anos dedicados à evangelização e já consumido pelas febres e pelas feridas, foi morto com um golpe de machado.

Em 19 de fevereiro de 1984, São João Paulo II o proclamou beato e mártir. Foi o primeiro mártir do PIME. Talvez, porém, a melhor explicação de seu martírio não tenha sido escrita depois de sua morte. Foi escrita por ele mesmo, dois dias antes de embarcar.

João sabia que a missão podia custar-lhe a vida. Já tinha experimentado febres, feridas, fome, tempestade e a proximidade da morte. Poderia ter permanecido em Sydney. Em vez disso, voltou.

Não porque tivesse certeza de que nada lhe aconteceria. Mas porque tinha certeza de outra coisa: “Aquele Deus que então me salvou estará comigo também nesta viagem.” E se Deus estivesse com ele: “Tudo o que me pode acontecer será sempre uma graça, uma bênção pela qual deverei agradecer-lhe.”


Fontes


A reconstrução baseia-se principalmente no Dicastério das Causas dos Santos, que conserva a síntese oficial de sua vida e martírio; nos arquivos e publicações da Postulação do PIME, que estão divulgando cartas e documentos originais de Mazzucconi, inclusive sua extraordinária carta de 16 de agosto de 1855; na documentação histórica do PIME sobre sua primeira missão na Oceania; e na Arquidiocese de Milão. São João Paulo II confirmou sua beatificação como mártir em 19 de fevereiro de 1984.


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