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8 lug 2026
O SANTO DO DIA
Conheça a maravilhosa história desse exercito de mártires que hoje a Igreja festeja:
Santo Agostinho Zhao Rong e os 119 Mártires da China: quando a fé vale mais do que a própria vida
Quando pensamos nos primeiros cristãos, lembramos imediatamente das perseguições do Império Romano. Mas talvez poucos saibam que uma das maiores perseguições da história da Igreja aconteceu muito mais tarde, na China, entre os séculos XVII e XX. Durante cerca de duzentos anos, milhares de cristãos — homens, mulheres, jovens, crianças, sacerdotes, religiosas e catequistas — foram presos, torturados e mortos simplesmente porque se recusavam a abandonar Jesus Cristo.
Entre eles, a Igreja recorda especialmente Santo Agostinho Zhao Rong e seus 119 companheiros mártires, canonizados por São João Paulo II no dia 1º de outubro de 2000.
O grupo é extraordinário porque reúne pessoas completamente diferentes entre si. Havia bispos europeus que haviam deixado tudo para anunciar o Evangelho. Havia sacerdotes chineses. Havia agricultores, artesãos, soldados, mães de família, adolescentes e até crianças. Alguns tinham pouco mais de dez anos de idade. Todos viveram em épocas diferentes, entre 1648 e 1930, mas todos fizeram a mesma escolha: permanecer fiéis a Cristo.
A história começa com um homem que jamais imaginava tornar-se cristão.
Zhao Rong nasceu na China por volta de 1746. Quando jovem, ingressou no exército imperial e tornou-se soldado. Sua missão era perseguir os missionários cristãos, considerados uma ameaça pelas autoridades locais.
Certa vez, recebeu a ordem de escoltar um sacerdote preso: o missionário dominicano São João Gabriel Taurin Dufresse. Durante a longa viagem, Zhao Rong ficou profundamente impressionado com a serenidade daquele homem. Mesmo sabendo que caminhava para o martírio, o sacerdote não demonstrava ódio nem medo. Falava de Cristo com paz, tratava todos com respeito e rezava continuamente.
Aquele encontro mudou a vida do jovem soldado.
Zhao Rong começou a procurar os cristãos e quis conhecer melhor a fé que dava tanta coragem àquele missionário. Depois de um período de instrução, recebeu o Batismo e escolheu o nome de Agostinho.
Sua conversão foi tão profunda que, algum tempo depois, decidiu tornar-se sacerdote.
Durante vários anos percorreu comunidades cristãs espalhadas pela China, celebrando os sacramentos, ensinando o Evangelho e fortalecendo os fiéis que viviam sob constante ameaça de perseguição.
Naquela época, professar a fé cristã podia significar perder tudo: o emprego, os bens, a liberdade e até a própria vida. Mesmo assim, milhares de chineses continuavam reunindo-se escondidos para celebrar a Eucaristia e ouvir a Palavra de Deus.
Agostinho Zhao Rong sabia perfeitamente os riscos que corria. Ainda assim, nunca abandonou seu povo.
Por volta do ano 1815, foi preso por causa de seu ministério sacerdotal.
As autoridades exigiam que renegasse a fé e abandonasse a Igreja. Diante das ameaças e torturas, permaneceu firme.
Acabou morrendo na prisão, tornando-se um dos inúmeros mártires da Igreja na China.
Sua história, porém, representa apenas uma pequena parte de uma realidade muito maior.
Os outros 119 mártires pertencem a diferentes épocas da história chinesa.
Alguns eram missionários vindos da França, Itália, Espanha, Bélgica e outros países. Muitos deixaram definitivamente suas famílias para anunciar Cristo em uma terra distante, sabendo que talvez jamais voltassem.
A maioria, porém, era formada por cristãos chineses.
Havia pais e mães de família que preferiram morrer a negar Jesus diante dos próprios filhos.
Havia catequistas leigos que continuaram ensinando o Evangelho clandestinamente.
Havia jovens que recusaram abandonar a fé mesmo diante das ameaças de morte.
Entre eles está Santa Anna Wang, de apenas 14 anos, morta durante a Revolta dos Boxers, em 1900. Quando lhe prometeram a liberdade se pisasse sobre uma cruz, respondeu que jamais negaria Cristo. Foi imediatamente executada.
Também impressiona a história de São Paulo Liu Hanzuo, catequista leigo, que passou anos formando novas comunidades cristãs apesar das perseguições constantes.
Durante a Revolta dos Boxers (1899–1901), milhares de cristãos foram assassinados. Os revolucionários acreditavam que o cristianismo era uma influência estrangeira que deveria desaparecer da China. Igrejas foram incendiadas, famílias inteiras exterminadas e numerosos missionários mortos.
Mesmo assim, a Igreja continuou crescendo.
Ao canonizar esses 120 mártires, São João Paulo II fez questão de lembrar que eles não morreram por razões políticas nem culturais, mas unicamente por causa de sua fidelidade a Jesus Cristo.
Na homilia da canonização, afirmou:
"Estes mártires testemunharam com a própria vida que o amor é mais forte que o ódio e que nenhuma violência pode separar o cristão de Cristo."
(Homilia para a Canonização dos Mártires da China, 1º de outubro de 2000).
A história desses mártires continua extremamente atual.
Eles não eram pessoas em busca do sofrimento. Amavam suas famílias, seus amigos, sua terra e desejavam viver em paz. No entanto, quando precisaram escolher entre a própria segurança e a fidelidade ao Evangelho, escolheram permanecer com Cristo.
Hoje, em muitos lugares do mundo, os cristãos continuam sofrendo perseguições por causa da fé. Os Mártires da China lembram que seguir Jesus nunca foi um caminho de facilidade, mas de coragem, esperança e confiança naquele que venceu a morte.
Seu testemunho ensina que a fé não é apenas uma tradição recebida da família ou uma prática religiosa ocasional. É uma decisão que transforma toda a vida. Para Santo Agostinho Zhao Rong e seus companheiros, Cristo valia mais do que qualquer privilégio, qualquer riqueza e até mesmo a própria existência.
Referências históricas
São João Paulo II, Homilia na Canonização de Santo Agostinho Zhao Rong e dos 119 Companheiros Mártires, 1º de outubro de 2000.
Congregação para as Causas dos Santos, Positio super martyrio dos Mártires da China.
Martirológio Romano, 8 de julho.
Acta Apostolicae Sedis, 92 (2000), p. 847–852.
Jean Charbonnier, Christians in China: A.D. 600 to 2000, Ignatius Press, 2007.
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